Maia diz que Bolsonaro foi 'equivocado' e pede união; veja repercussão


Da CNN, em São Paulo
25 de Março de 2020 às 02:24 | Atualizado 25 de Março de 2020 às 03:08
O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, no Encontro Anual Educação Já, ne

O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, no Encontro Anual Educação Já, nesta 2ª feira (9.mar.2020)

Foto: Câmara dos Deputados

O pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), criticando a adoção de medidas de incentivo à quarentena como enfrentamento ao novo coronavírus, provocou reações de autoridades públicas, entre governadores, senadores, deputados e representantes de associações.

Em nota divulgada nas redes sociais, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o pronunciamento foi "equivocado". "O momento exige que o governo federal reconheça o esforço de todos -- governadores, prefeitos e profissionais de saúde -- e adote medidas objetivas de apoio emergencial para conter o vírus e aos empresários e empregados prejudicados pelo isolamento social", escreveu. 

"O momento exige que o governo federal reconheça o esforço de todos -- governadores, prefeitos e profissionais de saúde -- e adote medidas objetivas de apoio emergencial para conter o vírus e aos empresários e empregados prejudicados pelo isolamento social", escreveu. Maia ainda defendeu que os brasileiros sigam "as normas defendidas pela OMS e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco".

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que "o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população". Em nota assinada com o vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG), Alcolumbre classificou a manifestação do presidente como "grave".

O ministro Gilmar Mendes afirmou que "a pandemia do COVID-19 exige solidariedade e corresponsabilidade". "A experiência internacional e as orientações da OMS na luta contra o vírus devem ser rigorosamente seguidas por nós", disse o ministro, que completou afirmando que "as agruras da crise, por mais árduas que sejam, não sustentam o luxo da insensatez" e acrescentando a hashtag "#FiqueEmCasa".

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que a fala do presidente "contraria as recomendações da Organização Mundial da Saúde". Um dos governadores a adotar as medidas criticadas por Bolsonaro, Witzel afirmou que continuará "firme seguindo as orientações médicas e preservando vidas". "Eu peço a você, fique em casa", conclui.

Defendendo a fala do presidente, o líder do governo na Câmara, deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO) afirmou elogiou "a visão de estadista" e "a coragem em ir na contramão da histeria coletiva, construída sem critérios racionais".

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) afirmou que "aqueles que torcem para que o vírus vença o Brasil estão revoltados com a coragem do presidente Jair Bolsonaro de escancarar a verdade". "Vamos sair do isolamento horizontal para o vertical, protegendo os mais vulneráveis e permitindo que pessoas voltem a trabalhar".

Veja a repercussão

Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-presidente da República

João Amôedo (Novo), empresário e ex-candidato à Presidência

Marina Silva (Rede), ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente

Fernando Haddad (PT), ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação

Eduardo Bolsonaro (PSL), deputado federal

Janaína Paschoal (PSL), advogada e deputada estadual

Randolfe Rodrigues (Rede), líder da oposição no Senado Federal

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

Ênio Verri (PT), deputado e líder do PT na Câmara

"Bolsonaro é um irresponsável. O discurso que fez hoje à noite e é extremamente grave, pois contraria cientistas de todo o mundo e até as orientações dadas pelo Ministério da Saúde. Ao defender a flexibilização do confinamento social, expõe ao risco de morte milhares de brasileiros, inclusive nossas crianças. Não está a altura do cargo que ocupa". 

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