Doria defende suspensão de dívidas de todos os estados com a União por 12 meses


Da CNN, em São Paulo
25 de março de 2020 às 11:53

Em reunião por videoconferência nesta quarta-feira (25), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), pediu ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a suspensão por 12 meses - e não 6 - do pagamento das dívidas dos estados com a União. A informação foi divulgada pelo analista de política Iuri Pitta, da CNN.

"É justamente para pegar esse período após o pico da pandemia [do novo coronavírus], que ainda vai ter repercussão na economia e na arrecadação dos estados de um modo geral e, com isso, ter um alívio para garantir uma recuperação mais rápida", explicou Pitta.

Doria disse que as indústrias de São Paulo seguem as recomendações dos órgão de saúde, mas estão em funcionamento para garantir abastecimento, produção de remédios e outros itens essenciais à população.

Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo de São Paulo foi autorizado, no último domingo (22), a não pagar parcelas de uma dívida de R$ 15 bilhões com a União por 180 dias, para que o dinheiro seja investido no combate ao novo coronavírus no estado.

Na segunda-feira (23), o ministro autorizou também o governo da Bahia a não pagar, por seis meses, as parcelas de uma dívida com a União. 

Governadores lamentam pronunciamento e pedem diálogo

Durante a reunião por videoconferência, Doria afirmou que ele e os governadores lamentam o pronunciamento que Bolsonaro fez na noite de terça-feira em rede nacional de rádio e TV.

"O presidente da República tem que dar o exemplo, tem que ser o mandatário para comandar, dirigir e liderar o país, e não dividir", disse Doria, acrescentando que os quatro líderes estaduais são "de partidos distintos, mas trabalhamos conjuntamente" na tentativa de "defender o Brasil num momento tão crítico e grave como esse".

O governador paulista ressaltou que esta é "a pior crise de saúde pública da história do nosso país". "Nossa prioridade é salvar vidas. Estamos preocupados com as vidas nos nossos estados, preservando empregos e o mínimo necessário para que a economia possa se manter ativa", afirmou.

Em resposta às críticas feitas por Bolsonaro, Doria disse que "todas as medidas tomadas em São Paulo são fundamentadas e não precipitadas".

O governador pediu ainda a liberação da importação de equipamentos e insumos necessários à saúde pública, sem a necessidade do que ele chamou de "questões burocráticas". "Se essa decisão for mantida, informo que tomaremos as medidas necessárias em plano judicial para que isso não ocorra."

A reunião desta quarta-feira entre Bolsonaro e governadores dos estados do Sudeste ocorre após o presidente acusar João Doria e Wilson Witzel (PSC-RJ) de fazerem "demagogia barata", e afirmar que vai propor o que chamou de "isolamento vertical" como forma de enfrentar a COVID-19 no país.