Governo já gastou R$ 1,9 bilhão com COVID-19; CGU quer mais transparência


André Spigariol Da CNN, em Brasília
25 de março de 2020 às 12:18
Wagner Rosário (CGU)

O ministro Wagner Rosário, da Controladoria Geral da União

Foto: Isac Nóbrega/PR

O governo federal já empenhou ao menos R$ 1,9 bilhão para enfrentamento da emergência de saúde pública do novo coronavírus. Ao todo, os ministérios da Saúde, Defesa e Educação já têm R$ 5,1 bilhões autorizados na Lei Orçamentária Anual de 2020 para ações de combate à pandemia. Os dados são do Sistema de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) e foram levantados pela CNN através da plataforma Siga Brasil, do Senado. 

Em conversa com a CNN, o ministro Wagner Rosário, da CGU (Controladoria-Geral da União), disse que a pasta estuda a criação de uma funcionalidade no Portal da Transparência do governo federal para a publicação de todos os gastos do governo relacionados ao coronavírus. 

“O governo criou um programa de trabalho específico no orçamento para marcar todos os recursos que estão indo para o coronavírus, mas tem recurso que será usado contra a doença e que não vai estar com esse marcador”, explicou o ministro, referindo-se a verbas que já estavam previstas para o SUS em outras linhas do orçamento. 

Com relação ao dinheiro já empenhado, os dados obtidos pela CNN indicam que a maior parte dos recursos foi para a conta de governadores e prefeitos: R$ 1,6 bilhão. São Paulo (R$ 394,4 milhões) e Rio de Janeiro (R$ 167,6 milhões) são os maiores beneficiários desses repasses até o momento, incluindo o recurso destinado aos governos estaduais e prefeituras. O Ministério da Saúde reservou uma segunda parcela de R$ 1,6 bilhão para futuras contribuições aos entes da federação.

Até o momento, a maior parte do orçamento carimbado para enfrentamento à COVID-19 está com o Ministério da Saúde, que recebeu R$ 4,8 bilhões. Já a Defesa, envolvida na repatriação dos brasileiros em Wuhan (China) ficou com R$ 11,2 milhões. O Ministério da Educação tem à sua disposição R$ 261 milhões, usados principalmente para a equipagem de hospitais universitários federais.