MP-SP denuncia 5 por propina e lavagem de dinheiro em fábrica pública de remédio


Roberta Russo e Matheus Caselato Da CNN, em São Paulo
25 de março de 2020 às 20:16 | Atualizado 26 de março de 2020 às 23:12
 
O Ministério Público de São Paulo denunciou cinco pessoas por lavagem de dinheiro e pagamento de propina na construção de uma fábrica da Furp (Fundação para o Remédio Popular) -- um dos maiores fabricantes públicos de medicamentos do Brasil, em Américo Brasiliense, interior do estado. 

A CNN teve acesso à denúncia do promotor Marcelo Mendroni.

Foram pagos pelo menos R$ 4,3 milhões em propina por empreiteiras para funcionários da farmacêutica oficial do estado de São Paulo.

Além de três funcionários da fundação, foram denunciados um então assessor da secretaria estadual de saúde e o diretor da OAS. São eles Ricardo Mafuz, Flavio Vormittag e Adivar Aparecido, da Furp, além do assessor do então secretário estadual da saúde — João Batista Rizek e o ex-diretor regional da OAS Carlos Henrique Barbosa Lemos. 

A investigação teve origem na delação premiada fechada entre o Ministério Público de São Paulo e a empreiteira Camargo Correa. 

Além do pagamento de propina, a investigação do ministério público indica um prejuízo de quase 19 milhões de reais aos cofres públicos.

À CNN, o promotor do caso destacou o esquema profissional de cobrança e lavagem de dinheiro: “O que mais me chamou a atenção foi eles usarem dessa estratégia, ingressar com uma ação judicial, um processo falso, combinado entre as partes, pra justificar o pagamento da propina, e depois a forma colo foi feita a lavagem de dinheiro, através de uma compensação de crédito das empresas com o consórcio que construiu hospitais lá do Pará e depois o dinheiro entrando em retorno, com o pagamento de propina após a lavagem, em uma empresa de um dos dirigentes da Furp, tudo isso revela um esquema altamente profissional pra cobrar propina e lavar o dinheiro”.

A fábrica em Américo Brasiliense, no interior de SP,  tem uma dívida de R$ 97,8 milhões e opera com apenas 25% da capacidade.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a Camargo Corrêa respondeu que colabora com as autoridades. "A Construtora Camargo Corrêa foi a primeira grande empresa de seu setor a fazer acordo de leniência. Desde então, está comprometida a colaborar com as autoridades para o esclarecimento de eventuais denúncias de atos ilícitos."

A Furp respondeu que “tem total compromisso com a transparência e investigação de eventuais irregularidades por qualquer órgão da Justiça e está à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos”.

Em nota, a OAS diz que "desde 2018 conta com uma nova gestão. Em novembro de 2019, a atual direção da empresa fechou o acordo de leniência com o CGU e AGU e ressalta que tem investido fortemente na área de Compliance para seguir com uma governança cada vez mais ética, transparente e íntegra em seus negócios".

A Secretaria de Saúde ainda não respondeu aos pedidos da reportagem para comentar.