Governador do PR defende quarentena gradual e bateria de testes para COVID-19


Da CNN, em São Paulo
26 de março de 2020 às 20:48 | Atualizado 26 de março de 2020 às 21:29

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), afirmou em entrevista exclusiva para a CNN nesta quinta-feira (26) que o estado manterá as políticas de isolamento social mesmo diante das falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele falou que mira exemplos de países como Alemanha e Coreia do Sul e pretende fazer uma bateria intensiva de testes para a identificação do novo coronavírus (COVID-19).

"É natural que a fala do presidente da República tenha um peso e reflete na vida de muitas pessoas, com setores se motivando para querer tomar decisões de voltar à normalidade. Nós temos buscado fazer essa compreensão e levar a toda a população de que é necessário haver o isolamento", afirmou.

O governador paranaense disse entender a preocupação de Bolsonaro com os impactos econômicos, mas disse que o mais importante é ter um planejamento estruturado para minimizar os efeitos e promover o abastecimento, de acordo com as recomendações das autoridades de saúde.

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No Paraná, Ratinho Júnior disse que a prioridade foi manter o funcionamento das indústrias, e que o movimento no Porto de Paranaguá está acima do padrão habitual. Segundo ele, o governo continuará mantendo restrições maiores nas atividades com grande fluxo de pessoas, como shopping centers e academias de ginástica.

Sobre a discussão entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante reunião realizada na quarta-feira (25), Ratinho Júnior pediu "paciência" a todos os atores políticos. "A prioridade neste momento para o Brasil é preservar vidas e evitar que entremos em um colapso econômico", afirmou o governador.

Estrutura

Segundo o último balanço do Ministério da Saúde, há 102 casos confirmados de COVID-19 no estado do Paraná, com nenhuma morte registrada até o momento. De acordo com Ratinho Júnior, o estado tem o que julga ser um nível "bom" para o atendimento dos casos mais sensíveis, com cerca de 3.000 leitos hospitalares.

O governador do Paraná confirmou a intenção de utilizar hotéis desocupados para abrigar profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus. De acordo com ele, a intenção é preservar as condições de saúde dessas pessoas e evitar que elas contaminem familiares com a COVID-19.

Ratinho Júnior também disse que o governo estadual descarta promover o confisco de equipamentos e insumos médicos, e que buscará a parceria com hospitais privados e filantrópicos. O governador cobrou responsabilidade dos empresários e criticou fornecedores que praticam preços abusivos.