Bolsonaro: 'Não é apenas questão de vida, mas de economia também'

Na saída do Palácio do Alvorada, Bolsonaro falou a jornalistas sobre coronavírus

Da CNN, em São Paulo
30 de março de 2020 às 10:33 | Atualizado 30 de março de 2020 às 10:41

O presidente Jair Bolsonaro afirmou a jornalistas, nesta segunda-feira (30), que a crise do coronavírus "não é apenas questão de vida, mas de economia também".

"É a questão do emprego. Se o emprego continuar sendo destruído como está sendo, mortes virão por outros motivos: depressão, suicídio, questões psiquiátricas", declarou o presidente na saída do Palácio do Alvorada. Comentando o problema da fome, ele ainda acrescentou que "até um animal vai à luta para trazer sustento para seus filhos, o ser humano não é diferente", disse.

"Mortes virão. Agora, o que nós vemos fora do Brasil, abaixo dos 40 anos, quando é atingido, menos de 'zero vírgula alguma coisa porcento' é que acaba indo a óbito", defendeu. "O problema não é do presidente, é de todos nós. E quando a situação vai para o caos com desemprego em massa, fome, é terreno fértil para os aproveitadores buscarem o poder e não mais sair dele", completou.

Bolsonaro ainda afirmou que "está ciente da responsabilidade" que tem e, pela primeira vez, disse que não tem remédio comprovado contra a Covid-19, depois do Mandetta ter feito o alerta na coletiva de sábado sobre a Cloroquina. "Vai morrer gente, como tem morrido algumas pessoas. Teremos uma crise maior? Poderemos ter uma crise.  Mas temos um outro problema, o desemprego. E tem que ser tratado com igual responsabilidade: o vírus e a questão do desemprego", afirmou. 

Questionado sobre as medidas adotadas pelo presidente Donald Trump e sobre ter tido duas publicações apagadas no Twitter, Bolsonaro afirmou que não iria comentar.

No domingo, o presidente visitou um comércio em Taguatinga, no sul do Distrito Federal e deu entrevista à CNN e a outros veículos de comunicação, contrariando orientações de isolamento.

Questionado sobre o decreto que prometeu editar para ampliar os serviços considerados essenciais, Bolsonaro disse apenas que está “pensando” no assunto.

Porém, quando perguntado sobre quais serviços eram considerados “essenciais” para ele, respondeu:
“Essencial é todo mundo que precisa levar prato de comida pra casa”. (Com informações de Rudá Moreira, da CNN em Brasília)