'Um tremendo canhão', diz fonte sobre MP do Trabalho

Governo conseguiu fechar um consenso sobre as escalas de redução da jornada e dos salários

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
30 de março de 2020 às 22:34

A Medida Provisória que vai socorrer empresas e trabalhadores formais deve, finalmente, ser apresentada nesta terça-feira (31). O governo conseguiu fechar um consenso sobre as escalas de redução da jornada e dos salários, além de incluir outras categorias de trabalhadores que poderão receber o benefício, como os domésticos. O gasto previsto pela equipe econômica passa de R$ 51 bilhões. 

“Um tremendo canhão. Uma medida trabalhista neste valor não tem paralelo na história do país”, disse à coluna uma fonte que participa da elaboração da MP. 

O governo quer dar um fôlego às empresas e socorrer os trabalhadores. Mas tão importante quanto isto, quer proteger a demanda agregada da economia, explicam técnicos envolvidos na discussão. Se for quebrado o ciclo de recebimento de salários e as pessoas pararem de consumir, começa o outro ciclo de não pagamento de alugueis, de fornecedores, que pode aprofundar desnecessariamente a crise. 

Muitos da equipe de Paulo Guedes  já sabem que o desemprego vai disparar e ninguém arrisca um palpite para onde deve ir a taxa calculada pelo IBGE. Entre os economistas do setor privado, o número de pessoas sem trabalho pode aumentar até 30% no curto prazo. Com a MP que será apresentada agora, a equipe econômica espera conter também uma perda expressiva da produtividade da economia. 

Milhões de pessoas sem emprego, somado a uma uma forte descapitalização das empresas, deverão provocar um impacto social expressivo, elevando o nível de insegurança. A expectativa da equipe econômica é de que a MP do Trabalho, com este volume de recursos, mais as outras medidas já anunciadas, sejam suficientes para minimizar estes efeitos. No setor privado, o entendimento é de que será preciso muito mais. 

A Caixa estuda a criação de uma conta digital para alcançar  trabalhadores informais que não estão registrados nos cadastros oficiais e poderão receber a renda básica de R$ 600,00. Para pagar os empregados formais que serão dispensados ou terão salários reduzidos, o governo também conversa com a Caixa e a conta digital pode ser uma das soluções para agilizar a transferência. Segundo fonte ouvida pela coluna, eles estudam alternativas do mercado, mas querem algo simples, com fácil acesso, sem que as pessoas precisem pegar filas ou fazer cadastro. 

No cronograma da equipe econômica, os recursos que serão pagos aos trabalhadores formais que terão seu contrato suspenso ou a redução do salário, este sistema de distribuição dos benefícios estará pronto em poucas semanas. Depois disso, o governo vai monitorar a aplicação das regras, a adesão das empresas e o atendimento aos trabalhadores.