Governo aposta em ajuda a estados e municípios para estreitar elo com Congresso

Governo federal tenta melhorar relação com 'Centrão'

Bárbara Baião e Noeli Menezes Da CNN, em Brasília
09 de abril de 2020 às 14:05 | Atualizado 09 de abril de 2020 às 14:07
Congresso Nacional, em Brasília
Foto: Pedro França/Agência Senado


Em um novo esforço para reorganizar a relação com o Congresso, o governo federal pretende discutir diretamente com deputados de partidos de centro na Câmara uma solução conjunta para o projeto de socorro a estados e municípios. Para isso, convidou líderes para uma videoconferência às 16h desta quinta-feira (9) com os ministros da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e da Economia, Paulo Guedes.


O gesto, segundo interlocutores do governo, faz parte da estratégia de construir uma base de apoio na Casa. Na terça-feira (7), Jair Bolsonaro se reuniu com o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP), um dos partidos do chamado Centrão no Congresso. Ontem, o presidente se encontrou com o presidente do Republicanos e vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, e com líderes do PL, Jorginho Mello e Wellington Roberto. O único partido que não foi chamado para se reunir com o presidente até agora é o DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). 

Troca de comando

O Planalto vê nas eleições para o comando da Casa, no ano que vem, uma oportunidade para atrair potenciais sucessores ao cargo de Maia que poderiam ter interesse em esvaziar os acordos conduzidos pelo político do DEM e, assim, demonstrar capacidade de sucedê-lo. 

Depois de conseguir aprovar a toque de caixa a PEC do Orçamento de Guerra na semana passada, Maia tem tido dificuldades nesta semana de fechar acordo para votar projetos que considera fundamentais para o momento de crise pelo qual o país passa, a medida provisória do contrato Verde Amarelo e o projeto de ajuda a estados e municípios.

Ontem, ele precisou retirar de pauta os dois projetos depois que os partidos de Centro ameaçaram obstruir a votação. Em caráter reservado, líderes partidários disseram à CNN que, além das divergências em relação a pontos das propostas, há uma insatisfação com a condução política do presidente da Câmara, que, segundo eles, afirma em público que existe acordo para votar os textos antes de falar com todos os partidos. A assessoria de Maia contesta. Diz que ele fez as declarações em entrevista depois das reuniões com os líderes.

Adiamento 

Em entrevista a uma rádio na manhã de hoje, Maia reafirmou a intenção de votar nesta quinta-feira a proposta de ajuda aos estados e municípios. Depois, no início da tarde, recuou e afirmou, em sessão na Câmara, que o projeto deve ficar para segunda-feira (13), indicando que ainda não há consenso sobre a matéria. 

Segundo o presidente da Câmara, o projeto terá um impacto de R$ 35 bilhões em gastos da União para compensar as perdas de arrecadação de ICMS (imposto estadual) e ISS (municipal), além de R$ 50 bilhões para garantias a empréstimos sem contrapartida dos entes federativos.