Bolsonaro só deve trocar ministros após crise

Mesmo após ministro da Cidadania falar sobre saída de Mandetta, em diálogo revelado pela CNN, ele deve permanecer no cargo

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
10 de abril de 2020 às 15:31 | Atualizado 10 de abril de 2020 às 16:03


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) avalia substituições na sua equipe ministerial após passar a crise do coronavírus no Brasil. Segundo um interlocutor dele, enquanto o COVID-19 estiver se disseminando e causando mortes no país, ele não irá mexer em sua equipe. Depois da crise, porém, avalia substituições. Em especial após as eleições municipais deste ano, quando o xadrez político nacional estará renovado.

O diálogo revelado pela CNN nesta quinta-feira (9), portanto, no qual mostra o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, em conversa com o ex-ministro e deputado federal Osmar Terra sobre uma eventual demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não deverá surtir efeito no curto prazo. O presidente considerou "lamentável" a postura de Lorenzoni, mas por outro lado avaliou que o episódio não deve ter desdobramentos por agora pelo fato de ele não ter sido alvo de comentários críticos por parte de ambos. E que muito do que ali foi falado se alinha ao que o presidente tem defendido publicamente, como a flexibilização dos isolamento social e críticas à postura de Mandetta.  


Na avaliação do entorno do presidente, Lorenzoni também não falou em nome do presidente. Ou seja, não havia qualquer ordem ou pedido para que ele operasse com Terra a queda de Mandetta.

O próprio Bolsonaro avaliou, segundo uma fonte, que Onyx deveria cuidar mesmo de sua eleição a governador ou a senador pelo Rio Grande do Sul em 2022. Uma sugestão, na leitura desse interlocutor, que de fato ele pode ser um dos que o presidente pode exonerar após a crise. Mesmo quando era ministro da Casa Civil, Bolsonaro já considerava que Onyx se preocupava mais com o seu projeto político-eleitoral no estado do que com o país. Também há expectativa de que Mandetta deve deixar o cargo após a crise.  

Em um gesto político de que sua relação com Mandetta distensionou de fato, Bolsonaro e o ministro da Saúde irão neste sábado até Águas Lindas de Goiás, para acompanhar as obras do primeiro hospital de campanha do governo federal.