MPF denuncia assessor do Ministério da Economia e outros 25 por rombo em fundos

força-tarefa Greenfield investiga rombo de R$ 5,5 bilhões causados por gestão temerária no Fundo de Investimentos e Participações

Gabriela Coelho e Larissa Rodrigues Da CNN, em Brasília
10 de abril de 2020 às 19:06 | Atualizado 11 de abril de 2020 às 12:33
O ex-ministro do Planejamento Esteves Colnago (10.set.2018)
Foto: Cesar Itiberê/PR

O assessor especial de Relações Institucionais do Ministério da Economia e ex-ministro do Planejamento do governo Michel Temer, Esteves Colnago, está entre os denunciados pela força-tarefa Greenfield, que investiga rombo de R$ 5,5 bilhões causados por gestão temerária no Fundo de Investimentos e Participações (FIP) Sondas, veículo de investimentos da Sete Brasil Participações. 

Esteves era membro do Conselho Deliberativo do fundo de pensão Funcef.

A CNN procurou a assessoria de comunicação do Ministério da Economia e o ex-ministro, mas eles ainda não comentaram a denúncia.  Além do assessor especial do ministério, outros 25 ex-dirigentes dos fundos de pensão estão entre os denunciados. 

A ação de improbidade relacionada ao Funcef aponta dez pessoas e pede mais de R$ 7 bilhões em reparações civis; a relacionada ao Petros acusa 12 pessoas por gestão temerária e requer o ressarcimento de R$ 7,22 bilhões; a ação envolvendo os ex-gestores da Previ tem quatro acusados e deve reparar as vítimas e a sociedade em quase R$ 1 bilhão.

No início do ano, eles foram denunciados por gestão temerária que causou prejuízo de mais de R$ 5 bilhões ao autorizarem, sem as devidas diligências, investimentos no FIP Sondas, pertencente à empresa Sete Brasil. O MPF pede reparações por danos coletivos e sociais difusos.

A denúncia criminal, apresentada em janeiro deste ano, revela crimes praticados entre 2011 e 2012 e consumados até 2016, quando ocorreram os últimos aportes no FIP Sondas. Os ex-gestores dos fundos de pensão autorizaram o investimento em duas etapas na Sete Brasil. 

De acordo com a denúncia, os ex-gestores causaram prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos fundos de pensão Petros, dos funcionários da Petrobras; Funcef, dos colaboradores da Caixa Econômica Federal; Previ, dos funcionários do Banco do Brasil; e Valia, dos trabalhadores da Vale.

Os procuradores denunciam que os ex-gestores ignoraram os riscos dos investimentos, as diretrizes do mercado financeiro, do Conselho Monetário Nacional, dos regimentos internos dos fundos, e não realizaram estudos de viabilidade sobre os aportes.