"Parece que está começando a ir embora a questão do vírus”, diz Bolsonaro


Teo Cury e Leonardo Lellis Da CNN, em Brasília e São Paulo
12 de abril de 2020 às 20:08 | Atualizado 12 de abril de 2020 às 21:41

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste domingo (12), sem apresentar dados, que “parece que está começando a ir embora a questão do vírus”. O país registrou neste domingo 99 mortes provocadas pelo novo coronavírus. O presidente participou hoje de uma celebração, por videoconferência, com 21 lideranças evangélicas, católicas e judaica para celebrar a Páscoa. 

Segundo o Ministério da Saúde, o número de pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus subiu para 22.169 com 1.223 mortes confirmadas

“Veio agora esse vírus. É o que tenho dito desde o começo, há 40 dias. Temos dois problemas pela frente, lá atrás eu dizia: o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus. Mas está chegando e batendo forte o desemprego”, afirmou o presidente. 

Pessoas próximas ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmaram à CNN neste domingo que a fala do presidente no final da videoconferência com líderes religiosos não está embasada em números e dados concretos. O ministro tem destacado nas últimas semanas a importância de se trabalhar com base em ciência e não em achismos. 

O Ministério da Saúde tem alertado que o pico de infecção da doença no país deve acontecer entre o final de abril e o início de maio. Em um artigo científico publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e assinado ao lado de  outros pesquisadores, o ministro Luiz Henrique Mandetta afirma que o maior número de casos deve ser registrado até o início do próximo mês e que a COVID-19 deve continuar circulando pelo menos até setembro. 

“Devemos lutar contra essas duas coisas [vírus e desemprego]. Obviamente sempre lutamos crendo, acreditando em Deus acima de tudo. Vamos vencer esses obstáculos. Não serão fáceis, mas tenho certeza que chegaremos lá”, acrescentou o presidente neste domingo.

Videoconferência
 
O isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus foi relembrado por alguns religiosos como oportunidade para a humanidade se tornar melhor. Outros fizeram orações pela recuperação econômica do país.

"Vivemos um momento difícil e sabemos quem pode nos curar: Deus sempre, acima de tudo. Nós aqui na Terra temos que fazer a nossa parte", disse Bolsonaro, ao abrir a transmissão e defender que as pessoas sejam informadas "não através do pânico, mas através de mensagens de paz e conforto".

"Devemos receber essa lição com bons olhos", afirmou o rabino Leib Rojtenberg. "Em meio a uma geração em que tudo é instantâneo, na palma da mão em uma tela, as conversas em casa são escassas, marido e esposa não se falam, filhos e pais deixaram de ser prioridade, a mão de Deus conseguiu entrar e parou o mundo inteiro para colocar todos na mesma situação: dentro de caso". O religioso judeu acrescentou que liberdade "não é só sair na rua". 

O padre Reginaldo Manzotti também fez um discurso de resignação. "Estamos numa quarentena que não dá para dizer que será amanhã, semana que vem ou daqui um mês [que irá terminar], porque a realidade se impõe", disse, acrescentando que todos podem sair melhores da pandemia e que a Páscoa é tempo de obediência e superação. "Só posso estar bem se o outro estiver bem. Ninguém é uma ilha", disse o padre.

Notório apoiador de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia aproveitou para criticar a imprensa e — nas suas palavras — os "profetas do caos". "Toda morte é uma tragédia, mas a verdade é que há um espírito de pânico e medo colocado na população por interesses escusos e interesses políticos", disse. Deputado federal e também apoiador de primeira hora do presidente, o pastor Marco Feliciano (Podemos-SP) defendeu o uso da cloroquina para a cura das pessoas contaminadas com COVID-19 — não há pesquisa conclusiva que ateste a eficácia do remédio.