Mandetta diz que acha que não vai se encontrar com Bolsonaro

Ministro da Saúde questionou em entrevista dubiedade nas orientações passadas à população

Mathias Brotero Da CNN, em Brasília
13 de abril de 2020 às 16:31 | Atualizado 13 de abril de 2020 às 19:26
Mandetta fala sobre a relação com Bolsonaro e os desafios na luta contra a pandemia
Foto: Isac Nóbrega/ Presidência da República

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que acha não deve se reunir com o presidente Jair Bolsonaro. Questionado se o encontro aconteceria ele disse “não, acho que não”. A declaração foi realizada na tarde desta segunda-feira (13), enquanto deixava o Ministério da Saúde. 

De acordo com apuração da CNN, pela manhã o ministro participou de uma reunião de rotina com técnicos da pasta, que durou cerca de quatro horas. 

A reunião aconteceu um dia após Mandetta pedir, durante uma reportagem, “fala única” em relação às medidas de combate ao novo coronavírus que vem sendo tomadas pelo governo.

"Isso leva para o brasileiro uma dubiedade, ele não sabe se ele escuta o ministro da saúde ou se escuta o presidente da República". Mandetta também citou episódios de aglomeração causadas por Bolsonaro.

Horas após a reunião, os secretários saíram do Ministério da Saúde e foram caminhando em direção ao Palácio do Planalto. A CNN perguntou sobre uma possível reunião entre Mandetta e Bolsonaro e eles disseram que não têm essa informação. Apenas confirmaram que a reunião de hoje cedo foi rotineira, como fazem toda segunda.

O secretário executivo, João Gabbardo, falou que sempre que possível, procuram ir a pé.

Bolsonaro não comentou

Na manhã desta segunda-feira (13), o presidente Jair Bolsonaro, afirmou, ao sair do Palácio da Alvorada, que não acompanhou a entrevista do ministro da Saúde.

Neste domingo, Bolsonaro participou de uma celebração religiosa, por videoconferência, para celebrar a Páscoa. Ele minimizou, sem apresentar dados, o tempo de duração do coronavírus, “É o que digo há quarenta dias. Temos dois problemas pela frente, lá atrás eu dizia: o vírus é o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus". 

O Ministério da Saúde, porém, tem argumentado que o pico de infecções pelo novo coronavírus deve acontecer entre o fim de abril e o começo de maio. 

Aglomerações


No fim da semana, o presidente Jair Bolsonaro esteve em ao menos três lugares onde havia grande concentração de pessoas. 

Na quinta-feira (9), Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto e foi a uma padaria de Brasília, ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Fora do estabelecimento o presidente cumprimentou e posou para fotos com apoiadores. 

No dia seguinte, após sair do Hospital das Forças Armadas, Bolsonaro foi a uma farmácia no sudoeste de Brasília. Poucas pessoas que estavam dentro do estabelecimento usavam máscaras. De lá o presidente seguiu para o apartamento do filho, Jair Renan. Embaixo do prédio, Bolsonaro coçou o nariz e cumprimentou uma senhora que o admirava. 

Neste sábado, Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, visitaram as obras do hospital de campanha de Águas Lindas de Goiás, em Goiás. A visita durou pouco mais de meia hora. 

Bolsonaro e Mandetta chegaram juntos ao local em um helicóptero presidencial para se encontrar com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e vistoriar o local. 

Durante a visita, Bolsonaro, que estava sem máscara de proteção, se aproximou e cumprimentou populares e foi de encontro ao governador do estado para abraçá-lo. Caiado pediu então que o presidente passasse álcool em gel nas mãos antes de aceitar a saudação do presidente.