Demitido, Mandetta agradece Bolsonaro, mas mantém defesa de isolamento social

Ex-ministro diz que sistema não está preparado para flexibilização do isolamento social e pediu que servidores não façam "um milímetro" do que não deveriam

Guilherme Venaglia Da CNN, em São Paulo
16 de abril de 2020 às 17:37 | Atualizado 16 de abril de 2020 às 18:28

Em pronunciamento de despedida do cargo de ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas reiterou nesta quinta-feira (16) a sua avaliação de que o país ainda não está preparado para flexibilizar as medidas de isolamento social adotadas para conter a pandemia do novo coronavírus.

"Não pensem que estamos livres de um pico de ascensão dessa doença. O sistema de saúde ainda não está preparado para uma marcha acelerada. Sigam as orientações das pessoas mais próximas, que estão em contato com o sistema de saúde, que são os prefeitos, governadores e o próprio Ministério da Saúde", disse.  

Diante de servidores do Ministério da Saúde, Mandetta deu um recado direto a eles. "Não tenham medo, não façam um milímetro do que acham que não deveriam fazer", afirmou. "Vocês sabem que ministros passam, e o que fica é o trabalho do servidor do Ministério da Saúde do Brasil."

Mandetta disse que a conversa que teve com Bolsonaro nesta tarde, quando foi comunicado da sua demissão, foi "agradável", e que entende que o presidente queira uma outra condução mais alinhada à sua percepção da crise decorrente da pandemia do novo coronavírus. O novo ministro é o médico oncologista Nelson Teich.

Pouco antes de Mandetta encerrar seu pronunciamento, Bolsonaro começou o seu, no Palácio do Planalto, já ao lado de Teich. O presidente descreveu a saída de Mandetta como um "divórcio consensual".

O anúncio da demissão de Mandetta foi recebido com panelaços em capitais do país, e a mudança no comando do ministério também foi um dos assuntos mais comentados no Twitter na tarde desta quinta.

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O agora ex-ministro da Saúde acenou a Bolsonaro ao dizer que ele é "humanista" e está preocupado com os impactos sociais, mas reiterou que espera que a equipe que sucederá a atual se paute pela "ciência". "Nada tem significado que não seja uma defesa intransigente da vida, uma defesa intransigente do SUS e uma defesa intransigente da ciência", disse. 

Mandetta se colocou à disposição para ajudar servidores e parlamentares e orientou sua equipe a apoiar, conforme for requisitada, uma eventual transição de governo.

O ex-ministro agradeceu aos servidores e a parlamentares, com menção, inclusive, a nomes da oposição ao governo. Ele elogiou os deputados Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Alexandre Padilha (PT-SP), de oposição ao governo, e disse que "a maturidade de entender o momento foi suprapartidária".

Padilha, ex-ministro da Saúde de Dilma Rousseff, e Jandira participaram de uma reunião que o ministro teve com deputados federais na quarta-feira (15). Foi neste encontro que Mandetta informou que não poderia adotar novas medidas de combate à pandemia porque estava aguardando a comunicação da sua demissão.

Com informações do Estadão Conteúdo