Procuradores querem investigar demissão no Ibama após operação contra garimpo

Divisões relacionadas ao meio ambiente e às populações indígenas veem indício de que ministro Ricardo Salles tenha cometido improbidade administrativa

Da CNN, em São Paulo
15 de abril de 2020 às 22:46
Ex-diretor do Ibama, Olivaldi Azevedo
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Procuradores das divisões de Meio Ambiente e de populações indígenas encaminharam representação pedindo que o Ministério Público Federal (MPF) investigue as causas da demissão do diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo.

Azevedo foi demitido na terça-feira (14) pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, dois dias depois do programa "Fantástico", da TV Globo, mostrar megaoperação feita pelo Ibama contra garimpeiros e madeireiros de terras indígenas no Pará.

A decisão sobre a abertura da investigação caberá agora ao MPF do Distrito Federal. Segundo nota, as câmaras especializadas em assuntos ambientais e das populações tradicionais pedem apurações a respeito "dos fatos e circunstâncias" que motivaram a demissão e se a saída de Olivaldi Azevedo "trouxe prejuízo à continuidade da operação, com eventuais impactos no ritmo e abrangência dos trabalhos"

Os procuradores levantam a possibilidade de que o ministro Ricardo Salles e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, tenham cometido crime de improbidade administrativa ao desligar o servidor na sequência de uma operação contra o desmatamento ilegal. 

A CNN apurou que as imagens de destruição do maquinário não agradaram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que ordenou a saída do servidor.

Para servidores do Ibama que preferiram não se identificar, Olivaldi Azevedo criava barreiras em instrumentos de fiscalização e atuava no órgão para amenizar conflitos com o setor produtivo. Os relatos ainda dão conta de que o diretor não dava prosseguimento a alguns processos internos e deixou sem resposta questionamentos feitos pelo Ministério Público.