Bolsonaro veta encontro de ministros com Maia

Segundo interlocutores do presidente, ele avaliou que ainda não é o momento de que essa aproximação de Maia com o Palácio do Planalto ocorra

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
21 de abril de 2020 às 19:19 | Atualizado 21 de abril de 2020 às 20:03

O presidente Jair Bolsonaro recomendou aos ministros da Casa Civil, Braga Neto, e da Secretaria de Governo, Luiz Ramos, que ainda evitem conversas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Segundo interlocutores do presidente, ele avaliou que ainda não é o momento de que essa aproximação de Maia com o Palácio do Planalto ocorra. Bolsonaro, por outro lado, mantém o interesse de dialogar com o presidente do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto.

O pedido de um encontro com os generais do Planalto chegou depois que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, encontrou-se com Maia. Ela mesma levou a sugestão de um encontro com Maia com Braga Neto e Ramos. Em um primeiro momento, ambos viram com bons olhos a aproximação com ele. Mas depois Bolsonaro suspendeu qualquer tratativa.

Nas últimas semanas, Bolsonaro tem buscado os partidos em um movimento de reaproximação do Congresso. Sua ideia é estruturar uma base parlamentar mais confiável. O primeiro movimento já atraiu partidos como PL, Republicanos, Progressistas e PSD. Agora ele deu início à segunda parte desse movimento, com a atração de partidos que estavam mais afastados dele e mais reativos às recentes posturas do presidente, como MDB e DEM.

Para atrair os partidos, o presidente fez um amplo levantamento dos cargos ocupados pelas legendas, em especial aqueles do segundo e terceiro escalões. Equipes destrincharam nomeações do Diário Oficial referentes aos anos anteriores a 2019 para identificar os padrinhos políticos dos indicados.

Com isso em mãos, o governo passou a chamar os partidos para lhes cobrar fidelidade ao governo em troca da manutenção desses cargos. É esse o movimento em curso. O DEM acabou entrando no processo porque o governo identificou cargos dessas nomeações feitas, segundo o governo, em grande parte pelos governos anteriores.