Bolsonaro encaminha mensagem de WhatsApp para Toffoli em tom conciliador

O conteúdo enviado pelo WhatsApp foi obtido na íntegra pela CNN nesta quinta-feira (23)

Da CNN, em São Paulo
23 de abril de 2020 às 12:30

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) encaminhou uma mensagem por WhatsApp para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. O conteúdo, obtido na íntegra pela CNN, mostra um tom conciliador em um momento delicado entre o Executivo e o Judiciário. Neste domingo (19), o presidente esteve em um protesto diante de um quartel do Exército em Brasília, onde manifestantes pediam intervenção militar e o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Toda manifestação é justa e garantida em nossa CF [Constituição Federal], portanto vão para as ruas, mas tenham uma pauta real, objetiva, com foco na missão. Não ataquem Presidência, Supremo ou Congresso, mas aquilo que você julga que deve ser mudado", diz o texto. Em outro trecho, no qual Bolsonaro é citado em terceira pessoa, o texto acrescenta: "o próprio presidente tem dito que deve lealdade ao povo, assim como às Forças Armadas".

A mensagem é concluída com a afirmação para que "contem com o seu presidente" pela democracia e garantia de liberdade.

Bolsonaro tem utilizado o tom conciliador desde segunda-feira (20), quando, ao a falar com os jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, defendeu que quer o Supremo e o Legislativo abertos. 

"Não tem essa conversa de fechar nada. Dá licença aí. Aqui é democracia. Aqui é respeito à Constituição Brasileira", disse Bolsonaro. "Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente. Nós, o povo, estamos no governo e não vamos aceitar provocações baixas, provocações rasteiras por parte da imprensa que está aqui."

Inquérito não cita Bolsonaro

O pedido de abertura de inquérito foi feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, ao Supremo Tribunal Federal (STF), e não cita o presidente da República Jair Bolsonaro, segundo fonte com conhecimento do assunto ouvida pelos analistas de política Renata Agostini e Fernando Molica, da CNN.

Ação corre em sigilo. Segundo apurou a CNN, o pedido envolve ao menos dois deputados federais sobre os quais há indícios de participação direta na organização da manifestação em diversas cidades do país deste domingo (19)..

Leia a mensagem:

"Aqueles que pedem intervenção militar (art. 142) antes devem decidir qual general ocupará a cadeira do capitão Jair Bolsonaro. Aqueles que pedem AI-5 antes devem mostrar onde está na constituição tal dispositivo.

Toda manifestação é justa e garantida em nossa CF [Constituição Federal], portanto vão para as ruas, mas tenham uma pauta real, objetiva, com foco na missão. Não ataquem Presidência, Supremo ou Congresso, mas aquilo que você julga que deve ser mudado. Exijam ações, cobrem votações, critiquem sentenças, vocês atingirão seus objetivos.

O próprio presidente tem dito que deve lealdade ao povo, assim como às Forças Armadas. Unam esforços, o povo quer um Brasil diferente do que temos ainda, mas para isso deve escolher suas pautas e também suas armas democráticas.

Dia 19, Dia do Exército, o presidente bem disse: 'Agora é o povo no poder. Mais do que o direito, vocês têm a obrigação de lutar pelo país de vocês'. 

Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado para nós, que é a nossa liberdade. Vá e vença".