Líder do PP: Guedes preocupa-se mais com bancos do que com país

Para Arthur Lira (PP-AL), o ministro da Economia está mais preocupado com 'bancos, com mercado financeiro e bolsa de valores' do que com a reconstrução do país

Renata Agostini
Por Renata Agostini, CNN  
27 de abril de 2020 às 12:57 | Atualizado 27 de abril de 2020 às 13:45
Deputado Arthur Lira (PP-AL) durante sessão na Câmara dos deputados (27.ago.2019)
Foto: CNN Brasil

Líder do Progressistas na Câmara, Arthur Lira (PP-AL), diz que o ministro da Economia, Paulo Guedes, está mais preocupado com "bancos, com mercado financeiro e bolsa de valores" do que com a reconstrução do país.

"Tem coisa pior que do que obra inacabada? Quem tem que colocar a mão no bolso primeiro neste momento é o governo. No mundo todo está sendo feito isso. Aqui não faremos, por quê?", diz Lira à coluna. "Na minha visão, gerar emprego, alavancar a economia, entregar as obras: isso é pensar na reconstrução do país".

"O que vai nos trazer no curto prazo pensar em aprovar reformas neste momento? Os ganhos com a aprovação da reforma da Previdência no curto prazo já foram embora diante da crise do coronavírus", diz.

Segundo ele, o Congresso se dispôs a aprovar o estado de calamidade pública e o Orçamento de Guerra para abrir espaço para gastos, mas o governo está bloqueando recursos para obras. Além disso, argumenta o líder do Progressistas na Câmara, os desembolsos do governo neste momento não podem focar somente na área da saúde, porque os problemas do país agora não se restringem à área.

"Por que votamos tudo isso: exceção à regra de ouro, PEC de Guerra… para ficar bonito? Enquanto isso, dinheiro para obras está sendo contingenciado", afirma.

Lira diz que, como classificou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, Guedes é "vendedor de redes que vende como quer". "Vendedor de redes, para quem não sabe, é o vendedor de ilusão. É aquele que pede R$ 100 reais, você oferece R$ 10 e ele aceita".

"Na minha visão, gerar emprego e alavancar a economia, entregar as obras… isso é a reconstrução do país. Não tem nada pior do que obra parada. Como vamos votar reforma agora? Como que vai ter espaço político para isso, no meio de uma crise dessa da saúde? Isso vai ser mais para frente. Aí voltamos a falar de tributária, não tem nenhum problema", afirma. 

Lira diz que ele e outros líderes do Centrão, que estão em processo de reaproximação com o presidente Jair Bolsonaro, não vão pedir a saída de Paulo Guedes do governo, porque "não é hora de tacar fogo no Brasil em plena pandemia". Ele cobra, porém, um plano concreto para retomada da economia.

A declaração de Lira ocorre num momento em que o governo debate o Plano Pró-Brasil, cuja ideia é montar bases para a reconstrução da economia após a pandemia do novo coronavírus. 

O plano foi apresentado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Barga Netto, contendo a projeção de R$ 30 bilhões em obras para os próximos três anos. O montante refere-se a obras comandadas pelo Ministério da Infraestrutura, de Tarcísio de Freitas. 

Mas o Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado por Rogério Marinho, estruturou sugestões para encorpar o plano, envolvendo desembolsos de cerca de R$ 180 bilhões para aceleração de cerca de 20 mil obras até 2024, conforme antecipou a CNN.

Lira diz que soube das sugestões de Marinho ao cobrar o ministro por andamento de projetos que estão parados pelo país e o pagamento de obras do Minha Casa Minha Vida. Ele vê com simpatia a ideia.

Guedes é contra a ampliação do Pró-Brasil e a inclusão das sugestões de Marinho no programa. A interlocutores, chamou Marinho de "desleal". O ministro da Economia disse a aliados que está ressentido, pois trouxe Marinho para sua equipe, nomeando-o secretário especial da Previdência e do Trabalho e chegou a defender seu nome junto a Bolsonaro para assumir a Casa Civil, quando o presidente decidiu tirar Onyx Lorenzoni da pasta.

A declaração dada por Bolsonaro na manhã desta segunda-feira, 27, de que Guedes é quem decide os rumos da economia, que "dá o norte" e "as recomendações" do que se deve seguir na pauta econômica ajudou a acalmar os ânimos dentro da equipe do Ministério da Economia.

No Congresso, contudo, cresce a pressão por um plano robusto para o pós-crise que não inclua apenas a pauta das "reformas estruturantes", como costuma pontuar Guedes, ao se referir à agenda que inclui mudanças na estrutura tributária e nas regras do funcionalismo, com corte de despesas públicas.