Valeixo vai à PF para fazer cópia de dados de seu celular

A intenção de Valeixo foi pedir apoio para obter registro fidedigno dos registros de seu celular pessoal caso ele seja solicitado pelas autoridades

Renata Agostini
Por Renata Agostini, CNN  
27 de abril de 2020 às 15:46 | Atualizado 28 de abril de 2020 às 05:51

O ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo esteve na manhã desta segunda-feira, 27, na Polícia Federal para fazer cópia do conteúdo de seu celular. Valeixo dirigiu-se voluntariamente à diretoria técnico-científica da PF, segundo relataram três integrantes da corporação à CNN.

A intenção de Valeixo foi pedir apoio para obter registro fidedigno dos registros de seu celular pessoal caso ele seja solicitado pelas autoridades. De acordo com um pessoa próxima a Valeixo, a extração dos dados foi feita e o aparelho segue com o ex-diretor-geral.

Diante da expectativa de que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, dê autorização para abertura de inquérito para apurar possíveis crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro, Valeixo tenta se antecipar e se resguardar com uma cópia de suas comunicações. 

O ex-diretor-geral está no centro de uma guerra de versões entre o ex-ministro da Justiça Sergio Moro e Bolsonaro. Moro acusa o presidente da República de ter forçado a demissão de Valeixo e de querer promover interferência política na PF, com troca de superintendentes e acesso privilegiado a relatórios de inteligência da PF. O presidente nega.

Moro diz que não assinou a exoneração de Valeixo, conforme publicado no Diário Oficial na sexta-feira, 24. O Palácio do Planalto acabou publicando novamente a exoneração de Valeixo sem a assinatura de Moro na noite do mesmo dia.

O ex-ministro da Justiça também diz que Valeixo não queria deixar o cargo de diretor-geral. Já Bolsonaro afirma que foi feito um telefonema a Valeixo na noite anterior da publicação de sua exoneração e que o ex-diretor-geral da PF confirmou seu desejo de deixar a corporação. Em entrevista à CNN, a deputada federal Carla Zambelli também afirmou que telefonou para Valeixo na véspera de sua exoneração. Segunda ela, o ex-diretor-geral relatou desejo de deixar a PF. 

Até o momento, Valeixo não se manifestou publicamente sobre o ocorrido, nem sobre as acusações de Moro, de que Bolsonaro queria acesso a relatórios de inteligência. 

A pessoas próximas, Valeixo diz que estava, de fato, cansado de passar por tantas pressões para deixar o cargo, mas que sua intenção não era abandonar o posto de chefe da Polícia Federal neste momento. 

A diretoria técnico-científica da Polícia Federal é a área encarregada por perícias.

Se confirmada a autorização pelo Supremo Tribunal Federal para a abertura de inquérito, além dos depoimentos de Sergio Moro e Maurício Valeixo, os celulares de ambos devem ser requisitados. 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou ao STF autorização para abertura de inquérito. Na avaliação da PGR, as declarações de Moro apontam “a eventual ocorrência, em tese, dos crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça”, entre outros crimes. 

O foco da perícia em um aparelho de celular é, em primeiro lugar, preservar os dados. Com isso, é possível determinar a "materialidade", ou seja, qual o conteúdo ficou gravado no aparelho, sejam mensagens ou áudios. Outro ponto importante é a determinação da “autoria", confirmar quem exatamente estava envolvido nas conversas registradas no celular.