Mendonça assume Justiça e pede a Bolsonaro que cobre mais operações da PF

Horas antes da posse de Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, barrou a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da PF

Da CNN, em São Paulo
29 de abril de 2020 às 16:21 | Atualizado 29 de abril de 2020 às 21:39

O novo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, assumiu o cargo nesta quarta-feira (29) em Brasília com um pedido para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cobre mais operações da Polícia Federal, que fica sob o guarda-chuva da pasta.

"Vamos fazer operações conjuntas. Cobre de nós mais operações na Polícia Federal, presidente da República", disse Mendonça.

Mendonça deixou a AGU (Advocacia-Geral da União) para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública depois da turbulenta saída de Sergio Moro, na semana passada. Moro pediu demissão alegando que Bolsonaro queria interferir politicamente na Polícia Federal, cobrando a saída de Maurício Valeixo -- indicado por Moro -- para o comando da corporação. O presidente da República nega as acusações.

Horas antes da posse de Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), barrou a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal justamente por causa da confusão envolvendo a saída de Moro e a mudança no comando da corporação -- assuntos que são alvo de inquérito pedido pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e autorizado pelo Supremo. 

Bolsonaro abraça o novo ministro da Justiça, André Mendonça, em cerimônia de posse em Brasília
Foto: Edu Andrade - 29.abr.2020/Fatopress/Estadão Conteúdo

Sintonia

Mendonça bateu continência para Bolsonaro ao assinar sua posse como ministro da Justiça e Segurança Pública. Em seu discurso, disse que estava assumindo o compromisso de ter uma "atuação técnica, imparcial", e sempre disposta a prestar contas "não só chefe da nação, mas ao povo".

O novo ministro demonstrou estar em sintonia com Bolsonaro, a quem dedicou elogios. Mendonça disse que o presidente "tem sido há 30 anos um profeta no combate à criminalidade" e que, ao comandar a pasta da Justiça e Segurança Pública, assumia o compromisso de "lutar pelos ideais de uma vida".

 
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Em outro sinal de afinidade com Bolsonaro, Mendonça também fez diversos acenos aos profissionais de segurança pública, defendendo em vários momentos do discurso a valorização dos policiais das diferentes corporações. O novo ministro também prometeu dar "retaguarda jurídica" a eles.

"O povo lhe elegeu pra isso, e eu serei um fiel missionário dessa mensagem", disse Mendonça, se dirigindo a Bolsonaro.

Mendonça também disse que sua atuação estará pautada no "equilíbrio entre a busca da eficiência e respeito às garantias individuais", afirmando que "os fins não justificam os meios."

Logo no começo de seu discurso de posse, o novo ministro fez uma deferência ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, que chegou a ser cotado por Bolsonaro para assumir a Justiça. 

Segundo Mendonça, Oliveira "tem sido um exemplo de integridade, de sobriedade" e "tem aberto mão de oportunidades para melhor servir o Brasil".

Na mesma cerimônia, também tomou posse o substituto de Mendonça na AGU, José Levi. Em seu discurso, ele pediu que a “gestão pública e a advocacia andem juntas” para que iniciativas como Medidas Provisórias (MPs) sejam aprovadas com mais rapidez, “através de um diálogo entre os poderes”.