'Devastador': parlamentares comentam supostas afirmações de Bolsonaro em vídeo

Deputados federais e senadores pediram que a gravação seja divulgada a todos

da CNN, em São Paulo
12 de maio de 2020 às 16:45 | Atualizado 12 de maio de 2020 às 17:09
O presidente Jair Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril. Ao fundo, o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro
Foto: Marcos Côrrea/PR (22.abr.2020)

Senadores e deputados federais da oposição comentaram nas redes sociais nesta terça-feira (12) a suposta afirmação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que a troca no comando da Polícia Federal no Rio de Janeiro seria necessária para proteger sua família de perseguição. A declaração estaria na gravação de uma reunião ministerial de 22 de abril, citada pelo ex-ministro Sergio Moro em depoimento e entregue à PF para apuração.

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Tanto Ivan Valente (PSOL-SP) quanto Paulo Teixeira (PT-SP) classificaram o vídeo como 'devastador'. "O vídeo comprova o crime com todas as letras. Bolsonaro associou a troca do superintendente do Rio à proteção de sua família", escreveu Valente.

O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) declarou que está entrando com ação no STF (Supremo Tribunal Federal) e requerimento na Câmara para que o Congresso tenha acesso ao conteúdo da gravação. "É crime de responsabilidade", afirmou. 

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também declarou que vai acionar a Corte para retirar o sigilo da gravação. "Esse vídeo é de interesse público", defendeu.

A líder do Cidadania no Senado, a maranhense Eliziane Gama, declarou que o vídeo deve ser disponibilizado "pelo bem da sociedade". "O país não merece ter um presidente sob suspeita", disse.

O ponto de vista de Gama é endossada por seu colega de partido, o senador sergipano Alessandro Vieira. "O Brasil precisa ter acesso a essas informações. Só a verdade liberta", opinou.

O governador Flávio Dino (PCdoB-MA) não citou o caso nominalmente, mas publicou a definição dos crimes de prevaricação e obstrução à Justiça.