'Bolsonaro busca descaracterizar que atuou para proteger família', diz jurista

Wálter Maierovitch ainda considerou que trata-se de uma clara "intromissão" e "um atentado à inteligência do cidadão brasileiro"

Da CNN, em São Paulo
13 de maio de 2020 às 14:35

O jurista Wálter Maierovitch, ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmou à CNN nesta quarta-feira (13) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está usando o "direito de espernear" ao tentar mostrar que não estava agindo em benefício próprio.

"O vídeo efetivamente é bombástico, é prova provada, então irrefutável. Então qual é o diversionismo que procura o presidente? Evidentemente de descaracterizar que estava atuando no interesse privado de proteger a família e os amigos", avaliou o ex-desembargador.

Maierovitch ainda considerou que trata-se de uma clara "intromissão" e "um atentado à inteligência do cidadão brasileiro". "Até as carpas que nadam no espelho d'água do Planalto sabem que o responsável pela segurança do presidente e dos familiares dele é o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e sempre foi assim", afirmou.

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O jurista analisa que Bolsonaro não estava se referindo à segurança física, mas a uma proteção em outro âmbito. "Quando se fala no GSI, estamos pensando na proteção física do presidente e da família, mas Bolsonaro estava se referindo não à proteção física, mas de persecuções judiciárias e do Ministério Público, a uma proteção de questões criminais", classificou.

Na segunda-feira (11), Celso de Mello autorizou a degravação integral do HD externo do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril. Moro apontou que, durante a reunião, Bolsonaro tentou interferir de forma indevida nas atividades da Polícia Federal.

Em entrevista anterior à CNN, o jurista classificou como prudente e sábia a decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tornar público o inquérito que analisa as alegações do ex-ministro Sergio Moro sobre suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

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Foto: Reprodução / Twitter Eduardo Bolsonaro