PT endossa pedido de impeachment de Bolsonaro organizado pelo PSOL

Até o começo de abril, o discurso do partido era de que Bolsonaro havia sido eleito para um mandato de 4 anos e uma cassação prematura não deveria ser apoiada

Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 17:27 | Atualizado 16 de maio de 2020 às 16:02
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado (12.mai.2016)

O PT (Partido dos Trabalhadores) anunciou nesta sexta-feira (15) que irá apoiar um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à Câmara dos Deputados. O documento, organizado pelo PSOL, deverá ser entregue na semana que vem.

De acordo com o PT, o documento também foi assinado por movimentos sociais, organizações civis, entidades e representantes da comunidade jurídicas e outros partidos. O PSOL informou ser o organizador do documento.

"O PSOL já havia se somado à campanha “Fora Bolsonaro” e decidiu no seu último Diretório Nacional, em 25 de abril, iniciar o processo de construção de um novo pedido de impeachment, amplo e forte, que pudesse, de fato, representar a uma parcela importante da sociedade. Nós convidamos todas as legendas de oposição para se somarem a essa iniciativa. Estávamos esperando a resposta do PT, que saiu na sexta", informou a legenda.

Até o começo de abril, o discurso oficial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, o maior partido de oposição ao atual governo, era o de que Bolsonaro havia sido eleito para um mandato de quatro anos e que o partido não deveria endossar uma campanha para que fosse retirado prematuramente do cargo. 

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Nesta quinta-feira (14), Lula também disse apoiar a cassação de Bolsonaro. "Rodrigo Maia precisava pegar uma das dezenas de pedidos de impeachment e colocar logo em votação", escreveu em seu perfil do Twitter.

“Bolsonaro é incapaz de dar resposta à crise que estamos vivendo e não tem condições, nem capacidade administrativa e humana de conduzir o país. Briga com todo o mundo, e não protege o povo brasileiro”, disse a presidente do PT, a deputada federal paranaense Gleisi Hoffmann.

PEC por eleições

O partido disse que lutará pela aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prevê eleições gerais para a presidência em casos de vacância do cargo.

"O PT entende que não basta encerrar o governo Bolsonaro, mas que é preciso substituí-lo por um governo eleito pelo povo", disse o partido em comunicado sobre o pedido de impeachment.

Alterado às 16h02 deste sábado (16) para correção de informação