Wajngarten será investigado por publicação que enaltece militares do Araguaia

Página oficial da Secretaria Especial de Comunicação Social chamou de "heróis" militares envolvidos em conflito que resultou na morte de opositores da ditadura

Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 05:14 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 06:23
Chefe da Secom, Fábio Wajngarten em evento oficial (12.mar.2020)
Foto: Anderson Riedel/PR

O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação sobre o secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten, em virtude de publicação oficial que enaltece militares envolvidos na Guerrilha do Araguaia.

A publicação foi feita no último dia 5 de maio, data em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reuniu com o tenente-coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, militar conhecido como “Major Curió” e que foi um dos principais envolvidos no episódio. O texto publicado pela Secom classifica Curió como "herói" e o conflito como uma guerra contra "o totalitarismo socialista".

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A Guerrilha do Araguaia foi um conflito armado ocorrido nos anos 70, durante a ditadura militar. No conflito, foram mortos militantes armados que se organizavam na região contra o regime.

Identificado na publicação de Wajngarten como "herói", o Major Curió foi agente infiltrado da ditadura militar, tendo se passado por um engenheiro civil do Incra para se infiltrar no movimento oposicionista e entregar militantes para serem detidos em centros clandestinos de detenção. A informação está no relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV).