Governo exonera secretário adjunto de Regina Duarte na secretária de Cultura

Pedro Jose Vilar Godoy Horta, número dois da pasta, foi tirado do cargo em portaria assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto

Da CNN, em São Paulo
16 de maio de 2020 às 15:27
Ministro-chefe da Casa Civil assinou exoneração publicada do número 2 de Regina Duarte na Secretaria Especial da Cultura
Foto: Carolina Antunes - 4.mar.2020/PR

O Ministério da Casa Civil exonerou Pedro Jose Vilar Godoy Horta do cargo de Secretário Especial Adjunto da Secretaria Especial da Cultura, comandada por Regina Duarte.

A demissão do advogado, um dos primeiros nomeados pela atriz depois que assumiu a pasta em março, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira (15) e assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto.

O DOU não trouxe o nome de quem deverá ocupar o cargo.

Clima de fritura

No começo do mês, permanência de Regina na pasta foi colocada em xeque após uma nova crise no governo, que teve início com a renomeação do maestro Dante Mantovani como presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Em áudio divulgado pela revista Crusóe e exibido pela CNN, a secretária disse a uma assessora que acreditava que está sendo dispensada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Então, assim, eles ainda estão decidindo. Está decidido. Eu não sei, não sei. Que loucura. Acho que ele está me dispensando", afirmara.

Após uma reunião da artista com o presidente na quarta-feira (6), no entanto, os dois concordaram com a permanência dela à frente da secretaria.

Polêmica entrevista

No dia seguinte, em entrevista exclusiva à CNN, Regina Duarte minimizou a ditadura afirmando que “sempre houve tortura e que não quer arrastar um cemitério”. A entrevista foi interrompida pela secretária após a exibição de um depoimento enviado nesta quinta à emissora pela atriz Maitê Proença.

Um grupo de mais de 500 artistas brasileiros escreveu uma carta repudiando a gestão e as declarações da secretária na entrevista.

Segundo o documento, o grupo diz não aceitar ataques “reiterados à arte, à ciência e à imprensa”, além de não admitir “a destruição do setor cultural”.