MP apura participação de supostos paraquedistas em manifestação

Depois da manifestação, os homens foram recebidos nos jardins do Palácio Alvorada por Bolsonaro, que chegou a fazer flexões ao lado deles

Fernando Molica
Por Fernando Molica, CNN  
18 de maio de 2020 às 21:23 | Atualizado 18 de maio de 2020 às 22:53
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores em manifestação em Brasília contra medidas de isolamento social para conter a Covid-19
Foto: Adriano Machado/Reuters (17.mai.2020)

O Ministério Público Militar abriu procedimento para apurar a presença de homens que participaram da manifestação deste domingo, em Brasília, usando botas, boinas e calças semelhantes às do uniforme da Brigada Pára-quedista.  O ato foi de apoio ao presidente. 

Depois da manifestação, os homens foram recebidos nos jardins do Palácio Alvorada por  Bolsonaro, que chegou a fazer flexões ao lado deles. O grupo ainda fez uma oração para o presidente e gritou: “Bolsonaro somos nós”. A maioria vestia camiseta preta com o nome do presidente. 

Em vídeo postado na conta de Bolsonaro no Facebook, um dos homens diz que eles são paraquedistas da reserva.

A abertura de procedimento foi determinada pela procuradora de Justiça Militar Maria Ester Henriques Tavares - o caso foi encaminhado para 2ª Procuradoria de Justiça Militar no Distrito Federal.

A lei 6.880, de 1980, proíbe que militares usem uniformes "em manifestação de caráter político-partidária".  Também impede que militares que passaram para a inatividade usem as fardas, "salvo para comparecer a solenidades militares, a cerimônias cívicas comemorativas de datas nacionais ou a atos sociais solenes de caráter particular". Isto, desde que sejam autorizados. 
        
A lei também impede que civis ou integrantes de forças auxiliares (PM e Corpo de Bombeiros) usem uniformes ou ostentem "distintivos, insígnias ou emblemas que possam ser confundidos com os adotados nas Forças Armadas." 

A CNN procurou o Comando do Exército que, na manhã desta terça, deverá se manifestar formalmente sobre o caso. Um oficial, porém, afirmou que só haveria irregularidade se alguém se passasse por militar para exercer alguma função reservada para os integrantes da categoria.