Randolfe Rodrigues e Alê Silva concordam que combate à Covid-19 deve ser local


Da CNN, em São Paulo
19 de maio de 2020 às 18:12 | Atualizado 19 de maio de 2020 às 21:46

Apesar de estarem em lados opostos do espectro político, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e a deputada federal Alê Silva (PSL-MG) concordam em um assunto: as medidas de combate à Covid-19 devem ter como base análises de cada estado e município. Os dois participaram nesta terça-feira (19) do Debate 360, na CNN.

A deputada citou a estratégia de flexibilização do isolamento na cidade mineira Coronel Fabriciano. "Com base em análise do município, chegaram à conclusão de que era possível adotar a flexibilização, independente da recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do estado [de Minas Gerais]. Acredito que análises técnicas ligadas à medicina devem ser feitas em cada município", disse.

O posicionamento é o mesmo do STF (Supremo Tribunal Federal), que decidiu que estados e municípios têm autonomia para determinarem sua própria estratégia de enfrentamento à pandemia.

O senador concorda, citando que no Brasil há biomas antagônicos, e que não seria possível que uma decisão contemplasse todos os locais. "A decisão foi correta, à luz da Constituição, que diz que a quem cabe políticas locais são os municípios e governos estaduais".

Os parlamentares também aquiescem que é prerrogativa do presidente da República escolher seu ministro da Saúde. Porém, Randolfe acha preocupante a instabilidade causada por duas trocas na escalada do novo coronavírus no país. "Nossa preocupação não é saber quem [será o ministro], mas que esse alguém seja pautado pela ciência", declarou.

Já Alê pensa que as substituições são naturais. "As trocas são naturais, acontecem dentro de um procedimento quando o profissional não atende as perspectivas, tem que ser desligado mesmo", opinou.

Eles também discordam quanto a adoção do isolamento e a administração da cloroquina à pacientes da Covid-19.

Para Silva, ainda não há estudos oficiais que comprovem a eficácia do isolamento, mesmo sendo a recomendação da OMS e a medida implementada em lugares bem-sucedidos no combate à doença, como Coreia do Sul e Alemanha. Foi o raciocínio para a réplica de Rodrigues. "A humanidade está vivendo há seis meses essa experiência [da pandemia]. A Itália não adotou o isolamento e teve caminhões de mortos. A Suécia não adotou e tem o triplo de número de casos do Brasil por milhão de habitante. Na experiência atual, é a única estratégia", respondeu ele.

A mineira também explicou que conversou com a médica oncologista defensora da cloroquina, Nise Yamaguchi, e disse que, juntas, chegaram à conclusão de que a resistência em adotar o medicamento é "puramente interesse financeiro das grandes indústrias farmacêuticas, que querem emplacar remédios caros".

O estudo brasileiro para verificar a eficácia da droga foi interrompido após 11 pacientes morrerem. Um dos efeitos colaterais é arritmia cardíaca.

Randolfe não quis opinar sobre o assunto. "Não vou falar de qualquer remédio porque não sou médico. Estou como senador e o presidente é presidente. Ele resolveria muito mais os problemas do Brasil se coordenasse ações", disse. "Melhor do que prescrever medicamentos que não estão comprovados cientificamente".

No entanto, ele diz que não descarta o uso do fármaco, desde que faça parte de um protocolo médico.