No dia da reunião ministerial, país tinha 45 mil casos de Covid-19

Presidente fez críticas a prefeitos e governadores que adotavam quarentena; um mês depois, número de casos superou 310 mil

Luiz Fernando de Toledo Da CNN, em São Paulo
22 de maio de 2020 às 18:54

O presidente Jair Bolsonaro, durante reunião com seus ministros no Palácio do Planalto no dia 22 de abril, fez mais uma crítica aos prefeitos e governadores que promoveram medidas de quarentena e isolamento social em seus estados para evitar a proliferação do coronavírus. 

"O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura" Facílimo" Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua", disse ele. O encontro, que foi filmado, teve o vídeo divulgado após decisão do ministro Celso de Mello na tarde desta sexta-feira (22).

Na data da reunião, 22 de abril, o Brasil registrava 45.757 casos de Covid-19 e 2.906 mortes. Um mês depois, o Brasil tinha 310 mil casos confirmados de coronavírus, com 20.047 mortes. O país é o terceiro no mundo em número de casos, atrás apenas da Rússia e dos Estados Unidos.  Já em número de mortes, está em sexto lugar, segundo o levantamento da Universidade Johns Hopkins (JHU).

O isolamento social é defendido por especialistas para conter o avanço do coronavírus, para evitar que haja colapso do sistema de saúde. Diversos estudos têm apontado que, caso não houvesse quarentena, muitos estados já teriam esgotado o número de leitos de UTI disponíveis e o número de casos e mortes poderia ser muito  superior ao atualmente registrado.

Reunião ministerial em 22 de abril, no Palácio do Planalto.
Foto: Marcos Corrêa/PR