Após vídeo de reunião ministerial, manifestantes se reúnem em Brasília

Ato em apoio a Bolsonaro acontece dois dias após divulgação de imagens de reunião do presidente com ministros em 22 de abril

Da CNN, em São Paulo
24 de maio de 2020 às 10:48 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 11:41

Dois dias após a divulgação do vídeo da reunião ministerial em 22 de abril, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reúnem em Brasília. O ato começou na manhã deste domingo (24) na Esplanada dos Ministérios.

Pessoas com bandeiras do Brasil passam de carro e a pé em frente do local, guiados por um carro de som. Faixas e bandeiras do Brasil são vistas entre os manifestantes.

Enquanto as manifestações ocorrem, o presidente, junto ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, deixou o Palácio da Alvorada de helicóptero em direção ao Palácio do Planalto. Outro helicóptero também saiu do local. 

O presidente realizou o voo de helicóptero "para sobrevoar a manifestação e olhar de cima”, disse uma fonte à CNN.  

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril na sexta-feira (22). Em sua decisão, o ministro afirmou que "ninguém está acima da autoridade das leis e da Constituição da República". O ministro argumenta que, por isso, a investigação de crimes eventualmente atribuídos ao presidente é legítima.

No mesmo dia, Bolsonaro disse que no vídeo não contém "nenhum indício de interferência na Polícia Federal".

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Reunião ministerial

Segundo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi nesta reunião ministerial que Bolsonaro teria manifestado a intenção de interferir politicamente na Polícia Federal (PF), cobrando a substituição do superintendente da PF no Rio de Janeiro e do diretor-geral da corporação, além de acesso a relatórios de inteligência e informação da Polícia Federal. 

Na última quinta-feira (21), véspera da data-limite da decisão de Celso de Mello, Bolsonaro pediu que a íntegra da gravação da reunião não viesse a público, por ter informações que afetariam a segurança nacional do país. 

"Eu só peço: não divulgue a fita toda. Tem questões reservadas, tem particularidades ali de interesse nacional. O resto, o que eu falei... Tem dois pedacinhos de 15 segundos que é questão de política externa que não pode divulgar. O resto, divulga. E tem bastante palavrão, tá", declarou. "Se o ministro resolver divulgar, vou cumprir a decisão judicial", afirmou o presidente na época. 

Ao divulgar o vídeo integralmente, o ministro disse que é "inexistente, quanto a tais agentes estatais, qualquer expectativa de intimidade, ainda mais se se considerar que se tratava de encontro para debater assuntos de interesse geral, na presença de inúmeros participantes". 

O tom da reunião ministerial surpreendeu negativamente uma série de políticos. Na ocasião, Bolsonaro xingou os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), além do o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB). O presidente chegou a dizer que "se tivesse armado, ia pra rua", de acordo com a transcrição divulgada pelo STF.

Repercussão 

Nas redes sociais, o governador João Doria afirmou que "o Brasil está atônito com o nível da reunião ministerial'. "Palavrões, ofensas e ataques a governadores, prefeitos, parlamentares e ministros do Supremo, demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República". 

Em sua manifestação, o governador Wilson Witzel afirmou que "a falta de respeito de Bolsonaro pelos poderes atinge a honra de todos. Sinto na pele seu desapreço pela independência dos poderes".

O governador do Rio também mencionou a reunião da última quinta-feira (21), na qual Bolsonaro teve uma discussão considerada positiva pelos executivos estaduais. "O que o povo, governadores e prefeitos mais querem é aquele presidente ouvidor da nossa reunião de quinta-feira. Aquele presidente supostamente equilibrado".

Já o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto,  disse que "não se surpreendeu com os insultos do presidente Jair Bolsonaro", e decidiu entrar com queixa-crime no Supremo Tribunal Federal contra o presidente neste sábado (23).

De acordo com os analistas ouvidos pela CNN, o mercado reagiu positivamente ao vídeo ministerial, afirmando que a gravação teve um tom 'pouco bombástico'. Segundo boa parte dos economistas, as falas no vídeo não comprometeram o presidente Jair Bolsonaro e nem os principais ministros, com foco especial em Paulo Guedes, chefe da Economia.

Ainda de acordo com parte dos especialistas, o conteúdo deve reduzir ou até mesmo eliminar as expectativas de que o vídeo pudesse ser utilizado como pretexto para um eventual impeachment.