Senadores do MDB e PT discutem vídeo de reunião ministerial

Márcio Bittar (MDB-AC) e Rogério Carvalho (PT-SE) comentaram principais pontos da reunião de Bolsonaro com seus ministros

Da CNN, em São Paulo
24 de maio de 2020 às 15:56 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 16:41

A divulgação do vídeo da reunião entre Jair Bolsonaro (sem partido) e seus ministros de 22 de abril aumentou a turbulência na política brasileira. A CNN convidou os senadores Márcio Bittar (MDB-AC), vice-líder do governo no Congresso Nacional, e Rogério Carvalho (PT-SE), líder do PT no Senado, para debaterem e comentarem os principais pontos das imagens divulgadas.

Carvalho destacou que a reunião não apresentou nenhuma política pública para o combate ao novo coronavírus no país. "O vídeo mostra o vazio total do governo do presidente Bolsonaro. Não há nenhum debate ou política que possa resolver o problema da pandemia, que possa salvar vidas ou apontar um caminho para o pós-pandemia, para a retomada do crescimento econômico", disse o senador.

Márcio Bittar, por sua vez, criticou o ministro Celso de Mello que autorizou a divulgação das imagens. "A quem interessa revelar as estratégias do governo? É algo de interesse nacional", pontuou. O senador ainda disse ser hipocrisia se espantar pelos palavrões ditos no encontro. "Se gravássemos a gente no Congresso, seria impublicável", completou.

A fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi outro ponto de discordância entre os senadores. Na reunião, Salles disse que o governo deveria aproveitar que "a imprensa está focada na cobertura da pandemia de coronavírus" para “ir passando a boiada e simplificando normas”.

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A fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi outro ponto de discordância entre os senadores. Na reunião, Salles disse que o governo deveria aproveitar que "a imprensa está focada na cobertura da pandemia de coronavírus" para “ir passando a boiada e simplificando normas”.

Para o vice-líder do governo no Congresso Nacional, a soberania da Amazônia foi perdida com a interferência de demais países. "[A defesa do meio ambiente] não pode servir para entregar a Amazônia para interesses externos", disse. "O maior problema do Norte do Brasil não é o desflorestamento, é esgota a céu aberto", acrescentou Bittar.

Carvalho aproveitou para exaltar a política ambiental dos governos Lula e Dilma. "O Brasil foi responsável pela Conferência de Copenhague, é um dos construtores do conceito de sustentabilidade", afirmou. "Não foram as regras ambientais que impediram o aumento da produção agrícola do país. Devemos deixar de lado esse antagonismo e discutir questões concretas", concluiu.