PF nega relação da troca de comando no RJ com operação contra Witzel

Em nota, a PF diz que os policiais saíram de Brasília para cumprir decisão do Superior Tribunal de Justiça

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
26 de maio de 2020 às 10:11 | Atualizado 26 de maio de 2020 às 10:55

Uma possível relação da operação da PF na casa do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e a troca de comando da polícia no Rio de Janeiro foi levantada por políticos em Brasília ouvidos pela CNN. A hipótese, no entanto, foi negada por fontes da PF em Brasília.

O braço da corporação no estado não foi utilizado na ação. Em nota, a PF diz que os policiais saíram de Brasília para cumprir decisão do Superior Tribunal de Justiça, a pedido da Procuradoria Geral da República, ou seja, todos órgãos localizados na capital federal.

O comando da PF no Rio mudou no início deste mês. O recém empossado diretor-geral, Rolando Alexandre, decidiu trocar o superintendente local - o que era de vontade do presidente Jair Bolsonaro. Escolhido desde então, o delegado federal Tácio Muzzi teve a nomeação formalizada no Diário Oficial da Uniao, desta terça-feira.

As coincidências apontadas até mesmo por apoiadores de Bolsonaro em redes sociais incomodaram policiais que trabalham na ação. Em posts, nesta manhã, internautas afirmam ser uma PF sob nova direção e agradecem até mesmo à atuação do ministro da Justiça, André Mendonça, que assumiu no lugar de Sérgio Moro.

A PF é subordinada ao ministério mas o ministro não é comunicado previamente quando uma operação ocorre. Mas outra aliada de Bolsonaro sugeriu saber. 

A deputada federal, Carla Zambeli, que tem sido um dos principais contatos de Bolsonaro, em entrevista ontem à Rádio Gaúcha, antecipou que governadores seriam alvos de operações da PF.

No caso da operação que tirou Wilson Witzel da cama, a PF teve tempo para preparar. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sexta-feira passada.

Dias antes, Witzel chegou a ser alertado por pessoas próximas de que seria alvo de uma operação da PF - podendo, inclusive, ter a prisão decretada. Isso não ocorreu, porém. Todos os mandados foram de coleta de prova. Um auxiliar do governo do RJ afirmou que Witzel estava dormindo, quando foi surpreendido com a chegada da polícia.