Tucano, prefeito de São Bernardo critica critérios de retomada de Doria

"Se é para retirar São Paulo da região metropolitana, também quero que São Bernardo seja retirada, porque nossos indicadores são melhores", diz Morando

Iuri Pitta
Por Iuri Pitta, CNN  
27 de maio de 2020 às 18:17 | Atualizado 27 de maio de 2020 às 18:19
O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB-SP)
Foto: PSDB/Divulgação


A “retomada consciente” anunciada nesta quarta-feira (27) pelo governador de São Paulo, João Doria, e a decisão de tratar a capital, administrada por Bruno Covas, em separado dos outros 38 municípios da Grande São Paulo causou ruído no PSDB, partido do governador e do prefeito paulistano.

Também tucano, o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, questiona os critérios para essa decisão.

“Recebi com indignação esse tratamento diferenciado. Se é para retirar São Paulo da região metropolitana, também quero que São Bernardo seja retirada, inclusive porque nossos indicadores são melhores que os da capital”, afirma o tucano, referindo-se a dados como número de leitos e disponibilidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) como proporção da população, entre outros. “Ou vale uma regra para todos, ou não vale para ninguém.”

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O prefeito de São Bernardo pediu audiência com promotores do Ministério Público Estadual para questionar os critérios adotados pela gestão Doria para classificar a capital em uma fase mais avançada do que as demais cidades da região metropolitana, no plano de encerramento da quarentena e retomada das atividades não essenciais. Na coletiva de hoje, Doria estava ao lado de Covas, que dará nova entrevista nesta quinta-feira (28) para detalhar as medidas a serem adotadas a partir de 1º de junho.

O prefeito paulistano apresentou um indicador de isolamento recém-modelado pelos técnicos da capital, além de dados sobre oferta de leitos de UTI e curvas de casos confirmados e óbitos, que justificariam um melhor status da cidade em comparação às vizinhas da Grande São Paulo. Em recente entrevista à CNN, Covas lembrou que mais de 1.700 vias públicas da capital são contíguas a outros municípios, isto é, um lado da via é responsabilidade de uma prefeitura e o outro, de outra gestão municipal.

O secretário de Desenvolvimento Regional de São Paulo, Marco Vinholi, defendeu os critérios adotados pelo governo Doria e explicou que o modelo heterogêneo delimita uma análise específica de cada uma das regiões. "Os municípios do ABC estão pleiteando a subdivisão da região metropolitana, através da organização das 6 regiões de saúde, o que será avaliado pelo comitê de contingenciamento", disse Vinholi, que também é preside o diretório estadual do PSDB.