Marcos Pontes: ‘Parte da Comunicação estava com deficiências'

Na quarta-feira, o ministro perdeu parte de sua pasta depois que Bolsonaro anunciou a recriação do Ministério das Comunicações

Da CNN, em São Paulo
12 de junho de 2020 às 08:07 | Atualizado 12 de junho de 2020 às 08:51

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, comentou a recriação do Ministério das Comunicações, que estava extinto desde 2016. Os assuntos sobre o tema ficavam sob o guarda-chuva da pasta que Pontes comanda.

Em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (12), ele garantiu que, em nenhum momento, se sentiu ameaçado no cargo e que recebeu a notícia da recriação da pasta "com tranquilidade". Pontes também afirmou que o setor de comunicação social do governo "estava com deficiências".

"Comunicação social, a cargo da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) com a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) era um ponto bastante deficiente do governo", disse o ministro, ressaltando que "a parte de comunicações técnicas estava excelente".

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Na quarta-feira (10), Pontes perdeu parte de sua pasta depois que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou a recriação do Ministério das Comunicações, e nomeou Fábio Faria (PSD-RN), genro de Silvio Santos, como chefe da pasta

Questionado sobre as negociações do Planalto com outros partidos políticos, como o centrão – bloco político conhecido pela negociação de cargos em troca de apoio nas votações da Câmara –, Pontes afirmou que tem um relacionamento "extremamente positivo" com o setor político.

"Embora eu não seja político, tenho facilidade de comunicação com basicamente todos os partidos", disse ele. "O Congresso tem apoiado e muito a parte de ciência e tecnologia e comunicações."

Sobre a discussão do 5G e sua implementação no Brasil, o ministro destacou que se trata de uma "tecnologia extremamente importante, que vai ajudar muito o desenvolvimento econômico e social do país". "Eu desenvolvo tecnologias para segurança cibernética e o ministro Fábio vai ser responsável pelas políticas de implementação do 5G."

Pontes falou ainda que haverá um leilão do 5G a ser feito pela Anatel no primeiro semestre de 2021. "A condução do programa de 5G está a cargo do novo ministério."

Combate ao novo coronavírus

Nesta sexta, Pontes estará em São Caetano, região metropolitana de São Paulo para falar sobre testes clínicos do novo coronavírus. O ministério começa a recrutar 500 pessoas para participarem da testagem de um novo medicamento para combater a doença. 

À CNN, ele disse que, desde fevereiro, estão sendo realizadas pesquisas com cerca de 2 mil medicamentos diferentes para tratar a Covid-19. Segundo Pontes, "não haverá nenhum risco, nenhuma perda" para os participantes.

"A ciência é a única arma que temos para vencer o inimigo, que é esse vírus", afirmou. "Se tivéssemos agora 500 participantes, em 15 dias provavelmente teríamos já um remédio para resolver o problema da pandemia."

Estrutura do novo ministério

O novo Ministério das Comunicações incorporará toda a estrutura da antiga pasta – que havia sido incorporada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) –, mais as funções da Secom. A pasta também vai dirigir a EBC, estatal responsável, entre outras coisas, pela TV Brasil e pela Agência Brasil.

No que dizia respeito ao MCTI, Fábio Faria será responsável pelas áreas de telecomunicações, radiodifusão e serviços postais. Portanto, entram em seu guarda-chuva o controle de outras áreas, como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e os Correios.

Já em relação à Secom, o ministro assume a parte de publicidade oficial e a realização de pesquisas de opinião pública. A secretaria especial era vinculada à Secretaria de Governo, dirigida pelo ministro Luiz Eduardo Ramos.