Juristas avaliam prisão da ativista Sara Winter

Lenio Streck e Miguel Reale Jr. afirmaram que medida foi necessária diante da possibilidade de reiteração de crimes

Da CNN
15 de junho de 2020 às 14:18 | Atualizado 15 de junho de 2020 às 15:06

O procurador de Justiça aposentado Lenio Streck e o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior avaliaram, em entrevista à CNN nesta segunda-feira (15), os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a prisão da ativista Sara Winter, líder do grupo denominado "300 do Brasil".

Na noite de sábado, fogos de artifício foram lançados na direção do prédio do Supremo enquanto manifestantes proferiam ofensas aos ministros do Supremo e insinuaram que o episódio era um recado aos magistrados. 

O Ministério Público Federal (MPF) determinou a abertura imediata de inquérito policial para investigar o caso. O subcomandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Sérgio Luiz Ferreira de Souza, foi demitido após reclamações dos ministros sobre a PM não ter conseguido impedir o ato.

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Ambos concordaram com a gravidade do ato. Reale Júnior avaliou que a prisão de Sara Winter era cabível em razão da possibilidade de reiteração. "Se sentiram no direito, em nome de Bolsonaro, que é, na verdade, o artífice desse processo, na medida em que ele incentiva. Ele foi a atos desse grupo, participou de manifestações como na frente do Exército, apoiando a manifestação e dizendo que eles estavam lá porque eles estavam certos", afirmou Reale Júnior. 

Streck acrescentou que a ativista usa a democracia para atacá-la. "Todos os elementos [para prisã] estão presentes. A ameaça, a possibilidade de reiteração de crimes, a questão da ordem pública e o incentivo à destruição de provas. Se não fosse presa, a questão que ficaria é: o que é necessário fazer nesse país para ser preso usando a própria democracia como uma contradição performática? Não posso usar a democracia para acabar com ela mesma", avaliou.

(Edição: Leonardo Lellis)