Críticas de bolsonaristas se tornaram agressões inaceitáveis, diz Requião

Ex-senador, que foi o relator da Lei de Abuso de Autoridade, considera que Judiciário teve reação justificada a respeito de atos e ameaças

Da CNN
16 de junho de 2020 às 17:14 | Atualizado 16 de junho de 2020 às 17:45

O ex-governador do Paraná e ex-senador Roberto Requião (MDB), relator da Lei de Abuso de Autoridade, não considera que esteja havendo excessos nas ações da Justiça nos processos contra atos tidos como antidemocráticos e ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"Nesse momento, as estripulias de membros do governo e militantes bolsonaristas estavam saindo um pouco do padrão da crítica e passavam a se constituir a agressão inaceitável", afirmou o ex-senador, em entrevista à CNN.

Requião afirmou que enxerga que o poder Judiciário segue praticando, em perspectiva geral, o que considera "excessos" mesmo após a lei, mas que se a Justiça não agisse em relação a essas "estripulias" estaria se omitindo.

"Os exageros estavam comprometendo a estabilidade e o equilíbrio dos poderes", afirmou, com crítica específica ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. Ele criticou a possibilidade de Weintraub, caso deixe o MEC, seja transferido para outro cargo no governo Bolsonaro.

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O ex-senador defendeu que o Brasil siga pelo caminho de um projeto nacional-desenvolvimentista, baseado na expansão do gasto público. Ele criticou os ministros do governo Bolsonaro que são militares em virtude da privatização e concessão de empresas e serviços para companhias estrangeiras.

"Estamos nos transformando em uma sub-nação, a serviço de interesses geopolíticos que não são nossos", argumenta Requião, com referências à política de investimentos públicos adotadas durante o período da ditadura militar. 

(Edição: Paulo Toledo Piza).