Ex-ministro Teich critica decisões tomadas de forma emocional e não técnica

À CNN, ele afirmou que governos devem sugerir melhorias à OMS e não o fim do órgão; ele também criticou idas e vindas em recomendações sobre Covid-19

Da CNN
16 de junho de 2020 às 14:02 | Atualizado 16 de junho de 2020 às 14:30

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou nesta terça-feira (16) que, além da pandemia causada pelo novo coronavírus, há também uma "pandemia de comportamento", que motiva políticos a tomarem decisões "muito mais emocionais do que técnicas". 

Em entrevista à CNN, o médico falou sobre as mudanças nas recomendações de tratamentos contra a Covid-19 e também sobre os questionamentos em relação à forma como a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem gerenciado esta crise.

"Quando a gente vê a OMS suspender o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina até dos estudos científicos, me parece um exagero", disse.

Ele ressaltou, no entanto, que mudanças ao longo do tempo são normais, quando acompanhadas de novas informações e de revisões de dados, para revisar recomendações médicas.

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"Essas idas e vindas são ruins, trazem um enfraquecimento da instituição, mas não significa que a gente tenha que acabar com a OMS. Temos que trabalhar com ela para melhorar sua performance", opinou.

Teich declarou também que os governos que discordam da conduta do órgão, como já é caso de Brasil Estados Unidos, deveriam fazer esses apontamentos para a OMS e sugerir melhorias. Se aquilo continuar sem funcionar bem, você tem que rever a gestão e não a instituição. Às vezes as pessoas misturam os dois conceitos, o da gestão e o da instituição."

Nova droga

Teich também falou sobre o estudo divulgado, nesta terça (16), pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, que aponta o uso da dexametasona como "grande avanço no tratamento da Covid-19".

"O estudo é mais consistente, tem uma metodologia mais adequada, mas sempre corre o risco de haver alguma revisão do que está sendo falado. O ideal é que você tenha mais de um estudo sobre o mesmo tema", disse o ex-ministro.

Para ele, é provável que, a partir desse estudo, a dexametasona, em baixa dose, passe a ser recomendada nos casos do novo coronavírus. "Porque é o primeiro estudo que mostra diminuição da mortalidade", completou.

(Edição: Sinara Peixoto)