Bolsonaro diz que apoiadores são perseguidos e promete 'todas as medidas legais'

Presidente publicou sequência de mensagens em rede social após dia de operação policial contra aliados e quebra de sigilo bancário de parlamentares

Guilherme Venaglia, da CNN em São Paulo
16 de junho de 2020 às 23:16
O presidente Jair Bolsonaro na entrada do Palácio do Planalto, em Brasília
Foto: Isac Nóbrega/PR (5.jun.2020)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou uma sequência de mensagens em sua conta oficial no Twitter na noite desta terça-feira (16), após um dia em que vieram a público decisões judiciais contra o governo.

Sem menção explícita ao STF, o presidente afirmou que o governo tem mantido "a mesma cautela de sempre" mesmo sofrendo "abusos presenciados nas últimas semanas" e "ataques concretos". Ao seu lado, ele diz nunca ter adotado medidas autoritárias na Presidência. "Não houve, até agora, nenhuma medida que demonstre qualquer tipo de apreço nosso ao autoritarismo, muito pelo contrário".

"O que adversários apontam como 'autoritarismo' do governo e de seus apoiadores não passam de posicionamentos alinhados aos valores do nosso povo, que é, em sua grande maioria, conservador. A tentativa de excluir esse pensamento do debate público é que, de fato, é autoritária", escreveu Bolsonaro na rede social.

Sem dizer exatamente de quais ações está tratando, o presidente afirma que tomará "todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros". "Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas", diz.

Pela manhã, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no inquérito que apura a organização e o financiamento de atos considerados antidemocráticos.

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Os mandados, pedidos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinados pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, miraram apoiadores do governo, como o youtuber Allan dos Santos, o advogado Luís Felipe Belmonte (vice-presidente do partido em formação Aliança pelo Brasil) e o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ). À tarde, a CNN noticiou que Moraes também decidiu a quebra do sigilo bancário de Silveira, outros nove deputados federais e o senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ).