Supremo cumpre papel exemplar e educativo, diz Carlos Lupi, presidente do PDT

O ex-ministro do Trabalho no governo Dilma Rousseff (PT) acredita que a operação que investiga a organização de atos antidemocráticos é "legal e constitucional"

Da CNN
17 de junho de 2020 às 19:27

Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (17), Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, defendeu o inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos, como o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), e o classificou como “legal e constitucional”. Na terça-feira (16), por decisão da corte, dez deputados federais e um senador tiveram os sigilos bancários quebrados como parte do inquérito. Para ele, o Supremo está cumprindo um “papel exemplar e educativo para toda a sociedade brasileira”. 

“Os parlamentares podem ter suspensos seu sigilo bancário e telefônico e também pedido de prisão preventiva num ato do Supremo, quando tiver indícios de envolvimento em atos que configurem crimes”, disse. No caso específico desses deputados e senador, Lupi afirmou que faz algum tempo que “todos nós temos a informação de que eles ajudam, incentivam e alguns até patrocinam agressões ao Supremo e pedido de fechamento do Congresso".

Lupi, que também foi ministro do Trabalho na gestão de Dilma Rousseff (PT), falou que para acabar com a propagação de notícias falsas, ataques e ameaças à democracia, é importante que todos tenham que colocar nome e CPF para criar perfil nas redes sociais. 

“Não pode usar boneco, fantoche, aquilo que eles fazem para [produzir] fake news. E é preciso saber quem está financiando. São covardes e se escondem no anonimato e, hoje, a nossa legislação permite isso. Já está no Congresso Nacional uma proposta, e estão trabalhando nisso, na identificação de todos que têm página na rede social", acrescentou.

Oposição

Lupi defendeu que agora é a hora de “todas as oposições, os democratas e homens e mulheres que defendem a pátria brasileira se unirem contra Bolsonaro”, e falou que no Parlamento a oposição tem agido em conjunto nas ações, nos projetos e nas votações, afirmando que as divergências estão na “visão do futuro” do país.

“Hoje a nossa união é para impedir o avanço do atraso, do retrocesso. Nesse campo nós estamos unidos. O processo eleitoral vem depois”, falou.

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Sobre as manifestações contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente do PDT deixou claro que acredita que não é o momento de ir para as ruas, pois "a pandemia não está controlada, não tem remédio e nem vacina".

“Nós não podemos, com a responsabilidade que temos, condenar Bolsonaro por incentivar aglomeração, por não usar máscara, e ficar falando para as pessoas irem para a rua. Não tem coerência [irmos para a rua], não podemos falar uma coisa e fazer outra”, disse.

Lupi falou também que entende a revolta da oposição e que as pessoas estejam “profundamente machucadas" com a possibilidade de uma "nova ditadura se implantar no Brasil", o que, na avaliação dele, não irá acontecer. Por isso, aconselhou que as manifestações aconteçam pelas redes sociais.

(Edição: André Rigue)