Planalto teme delação de Queiroz


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
18 de junho de 2020 às 18:30 | Atualizado 20 de junho de 2020 às 21:44
Queiroz chega ao Rio

Cercado por policiais, Fabrício Queiroz (2º à direita), desembarca de helicóptero no Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio

Foto: SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO


O maior temor no Palácio do Planalto hoje é quanto a uma eventual delação premiada de Fabrício Queiroz. A avaliação é a de que a operação de hoje que prendeu o ex-assessor de Flávio Bolsonaro é uma retaliação política do governador do Rio, Wilson Witzel, em razão das operações da Polícia Federal que acabaram por detectar irregularidades na utilização de recursos para o combate à pandemia do novo coronavírus. 

Witzel caminha para perder o mandato e, segundo interlocutores do presidente, estaria por trás dessa operação para prender Queiroz e força-lo a fazer uma delação premiada que possa comprometer Flávio e, principalmente, Jair Bolsonaro. Por exemplo, a indicação de que o dinheiro da rachadinha servia para pagar despesas pessoais da família Bolsonaro.

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Dada a sensibilidade do caso, a recomendação feita por auxiliares do presidente a ele é bem clara. Evitar o confronto para que ele não acirre os ânimos e a disposição dos investigadores em extrair de Queiroz acusações contra o presidente. A ideia é deixar que Flávio assuma as responsabilidades do caso. Em outra frente, há uma tentativa também de desvencilhar o advogado Frederik Wassef do presidente, conforme se viu da nota divulgada pelos advogados do presidente, Karina Kufa e Antônio Pitombo. 

A dúvida é se Bolsonaro manterá essas recomendações, feitas tanto pela ala militar quanto por políticos próximos ao presidente.