Queiroz na casa do advogado de Flávio é 'sintomático', diz ex-procurador

Carlos Fernando dos Santos Lima comentou prisão do ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Da CNN
18 de junho de 2020 às 14:47 | Atualizado 18 de junho de 2020 às 14:55

Em entrevista à CNN na manhã desta quinta-feira (18), Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-procurador República, afirmou que o fato de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), estar na casa do advogado do senador no momento da prisão é "bastante sintomático" e indica que há "um interesse em proteger" o ex-PM. 

"O que deve ser profundamente analisado é a lavagem de dinheiro. Estar na casa do advogado de uma das partes é bastante sintomático, fica claro que há um interesse da defesa [de Flávio Bolsonaro] de proteger Queiroz e isso indica que as investigações estão no caminho certo. Prendê-lo hoje foi uma atitude certa", explicou ele, que atuou na Operação Lava Jato.

"Esta operação de hoje é uma daquelas que já estavam para sair há muito tempo. Na verdade esse esquema de 'rachadinha' já tinha quase dois anos de investigação e creio que essa operação era uma bola cantada. Nós sabemos que Queiroz não colaborou com as investigações. A prisão preventiva dele me parece uma medida necessária", acrescentou.

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Questionado sobre os impactos da ação sobre o governo de Jair Bolsonaro, Lima acredita que o presidente seguirá uma 'visão conspiratória' sobre os fatos. 

"O presidente tem uma tendência de ver as coisas de uma maneira conspiratória, vai acreditar que tudo isso está interligado entre si. Desde a decisão do Supremo sobre a quebra do sigilo bancário, o inquérito das fake news e agora a prisão de Queiroz. Para mim, esta visão é completamente sem sentido. O que estamos vendo agora é que as coisas vão acontecendo e acontecendo ao mesmo tempo. Já vimos isso antes em outras fases da Lava Jato", afirmou. 

Lima também comentou a possibilidade de Queiroz fazer um acordo de delação premiada. Ele afirmou que "ninguém faz deleção premiada porque teve uma 'epifania de arrependimento'. Ele faz pois tem algum interesse". E continuou: "Esse tipo de situação será considerada por Queiroz para que ele possa refletir sobre a possível colaboração. Creio que ele vai refletir rapidamente pois o cerco está se fechando contra a sua família", concluiu. 

(Edição: Leonardo Lellis)