Congresso blinda Flávio Bolsonaro

A principal razão para a 'blindagem' é que Flávio não pode ser punido por atos anteriores ao mandato, como é o caso das 'rachadinhas'

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
19 de junho de 2020 às 18:30
O senador Flávio Bolsonaro (11.fev.2020)
Foto: Beto Barata/Agência Senado


Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, deixaram claro ao governo em conversas ocorridas nas últimas 24 horas de que não pretendem liderar um movimento para cassar o mandato do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos - RJ). A avaliação é compartilhada também por deputados e senadores de centro com que a CNN conversou. 

Os sinais todos têm sido dados. Ontem, durante mais de seis horas de sessão do Senado, o nome de Fabrício Queiroz foi citado apenas uma vez, pelo senador Alessandro Vieira. As manifestações feitas até agora pelo presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos, do DEM do Mato Grosso, também vão nesse sentido. Ele só pretende tratar do assunto em sessão presencial, prevista para ocorrer apenas no dia 15 de julho.  

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São várias as justificativas para este cenário.

A principal é a de que Flávio não pode ser punido por atos anteriores ao mandato. Também não há interesse em potencionalizar ações do Ministério Público do estado do Rio de Janeiro. Primeiro porque seria valorizar uma classe que historicamente incomoda políticos. Segundo porque dentre alguns senadores há a percepção de que pode haver influência no órgão do governador Wilson Witzel, adversário político dos Bolsonaro. Terceiro porque a maioria do Congresso não considera grave a prática da "rachadinha" que é imputada a Flávio. Dizem ser algo comum em assembleias legislativas país afora e que não é motivo para cassar o mandato de um senador da República.