O Grande Debate: operações são para desestabilizar o governo Bolsonaro?

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla debateram a operação que prendeu Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Da CNN, em São Paulo
18 de junho de 2020 às 22:31

No Grande Debate da noite desta quinta-feira (18) na CNN, Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho discutiram a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado e hoje senador Flávio Bolsonaro. O tema do debate foi: a ação de hoje e outras que investigam apoiadores do presidente foram para desestabilizar o governo?

Augusto foi o primeiro a abrir argumentação e focou na relativização de tipos de crimes. “A presunção de inocência é geral e irrestrita, então apesar dos fatos graves e indícios claros, Queiroz é inocente”, explicou. 

“Para muitos, a pequena corrupção não é corrupção. Eles culpam o sistema. A famosa rachadinha, por acontecer há tantos anos, para muitos foi normalizada, como se fosse inerente ao ambiente do gabinete de parlamentares. Por outro lado, há quem diga que há uma conspiração por trás das investigações. Para isso precisaríamos de conluio entre diversos órgãos. Diante da pluralidade de temas, seria difícil supor que a razão destas ações são para desestabilizar o governo,” completou Augusto.

Caio discordou: “Essa ordem de prisão cautelar, sincronizada com investigações arbitrárias, tem objetivo velado de enfraquecer o governo? Provavelmente sim,” afirmou. Ele também questionou o momento da ação contra Queiroz, que segundo ele apura fatos anteriores ao mandato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fazendo com que ele não possa ser responsabilidade pelos atos no momento. “A prisão do Queiroz tem segundas intenções, especialmente porque ele não estava foragido, mas sim solto.”

“Queiroz estava livre e não comparecendo aos depoimentos,” disse Augusto, que após leitura do mandado de prisão, viu que o texto traz “elementos sólidos contra ele como troca de mensagens de Queiroz com pessoas ligadas a milícias e indícios de lavagem de dinheiro.” Quanto ao timing da operação, Augusto trouxe reportagem da revista Crusoé sobre a delegada responsável pela operação contra atos antidemocráticos em que ela enviou uma carta ao STF dizendo que “não é momento certo de cumprir a ordem de busca e apreensão”, e relembrou que a operação de busca e apreensão relativas aos atos antidemocráticos tinha sido despachada no dia 27 de maio, mas que foi atrasada por problema interno.

Caio então se voltou ao sistema penal, que segundo ele apresenta diversas injustiças e até mesmo distorções que podem favorecer Queiroz. “Estão equiparando o arquiteto de um esquema bilionário de corrupção com um operador de rachadinha. Porém Queiroz é um cara de sorte e está sendo beneficiado por decisões das elites políticas e judiciárias, como a impossibilidade de prisão em segunda instância ou até mesmo a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, de suspender a investigação que estava envolvido por alguns meses.”

(Edição: André Rigue)