Procuradora comenta possibilidade de habeas corpus para Fabrício Queiroz


Da CNN
19 de junho de 2020 às 15:25 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 15:28

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (19), a procuradora da República Thaméa Danelon falou sobre aspectos jurídicos da investigação do caso de Fabrício Queiroz,  que foi assessor do senador Flávio Bolsonaro quando este era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). 

Embora não integre as investigações, Thaméa avaliou que, pela leitura da decisão judicial que ordenou a prisão de Queiroz, um eventual habeas corpus -- que já foi solicitado pela defesa -- pode ser difícil para o ex-assessor.

"No meu ponto de vista jurídico, acho muito difícil um habeas corpus ser concedido, porque a prova é bem robusta e está bem demonstrada a necessidade da manutenção dessa prisão preventiva", considerou a procuradora. 

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"Conforme li na sentença, vários elementos justificaram essa prisão preventiva. O primeiro é a gravidade dos crimes -- de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução à Justiça --, que são graves. Há também muitos indicativos de eventual envolvimento dele com milicianos, o que traz também a periculosidade desse investigado. Acho muito difícil a revogação dessa prisão", disse.

A investigação

Queiroz chega ao Rio

Cercado por policiais, Fabrício Queiroz (2º à direita), desembarca no Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio

Foto: SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Queiroz foi preso nesta quinta (18) em Atibaia, no interior de São Paulo, em um imóvel de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro.

O ex-policial militar foi transferido para o Rio de Janeiro, onde tramita o caso, e está detido no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste da capital fluminense.

A prisão é desdobramento da investigação sobre um suposto esquema de "rachadinha" — em que servidores do gabinete repassam parte do salário — na Alerj. 

Queiroz foi assessor e motorista de Flávio Bolsonaro até outubro de 2018, um mês antes da deflagração da operação Furna da Onça, que apura corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos na Assembleia do Rio.

De acordo com um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de 2016, época em que o assessor ainda estava lotado no gabinete de Bolsonaro, Queiroz movimentou cerca de R$ 1,2 milhão em saques e depósitos, considerados atípicos pelo órgão.

(Edição: Bernardo Barbosa)