'Weintraub foi um não ministro', avalia Claudia Costin

Professora e ministra da Administração e Reforma do Estado do governo FHC, ela entende que faltou noção de políticas públicas ao ex-ministro da Educação

Da CNN, em São Paulo
18 de junho de 2020 às 23:19

Abraham Weintraub deixou o cargo de ministro da Educação nesta quinta-feira (18). Sua saída foi motivada por atritos do ex-ministro com outras autoridades da República, como membros do Supremo Tribunal Federal (STF). A saída foi considerada como uma maneira do presidente Jair Bolsonaro apaziguar os ânimos em Brasília.

Analisando a passagem de pouco mais de um ano do ex-ministro na pasta da Educação, a professora e ministra da Administração e Reforma do Estado do governo FHC, Claudia Costin, entende que Weintraub foi um “não ministro”, e que lhe faltou, entre outras coisas, noção de políticas públicas.

“Foi a gestão de um ministro que não se interessou pela pasta. Ele não coordenou a política educacional durante a pandemia, não gerou propostas aptas a serem implementadas e mostrou que não entende de gestão de políticas públicas.”

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Ela disse que poucas propostas apresentadas pelo ministro em sua gestão foram positivas, e destacou o plano “Future-se” como uma boa proposta, mas fez a ressalva de que o próprio Weintraub foi inimigo do projeto.

“O Future-se foi um projeto interessante, porém ele foi o principal inimigo do projeto com sua comunicação ideológica e agressiva.”

Olhando para o futuro, Costin entende que o próximo ministro da educação precisa se focar em aumentar a coordenação da educação nos estados com o governo federal, e entender o novo momento da educação pós-pandemia.

“Precisamos de alguém que coordene a política nacional de educação e olhe para avanços e aprendizados que tivemos durante a pandemia sobre aprendizagem em casa. É preciso avançar em competências digitais e até mesmo iniciar projeto de ensino híbrido, em casa e na escola. Quem assumir a cadeira precisará olhar para essa educação que não será mais a mesma.”

(Edição: André Rigue)