Defesa de Sara Winter recorre de decisão que negou liberdade à ativista

Sara foi presa no âmbito de um inquérito sobre a organização e o financiamento de atos que defendem o fechamento do Congresso e do STF

Gabriela Coelho e Cassius Zeilmann, da CNN em Brasília
23 de junho de 2020 às 16:39
Ativista Sara Winter durante protesto em Brasília (DF)
Foto: Reprodução - 04.mai.2020/Twitter

A defesa da ativista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, recorreu nesta terça-feira (23) da decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na semana passada negou liberdade à ativista. Sara foi presa no âmbito de um inquérito sobre a organização e o financiamento de atos que promovem pautas antidemocráticas, como o fechamento do Congresso e do STF.

No dia 18 de junho, a ministra Cármen Lúcia negou um habeas corpus à militante. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, prorrogou no dia 19 de junho por mais cinco dias a prisão da ativista. Ela está custodiada no presídio feminino do Distrito Federal.  

Segundo a defesa, Sara não tomou qualquer medida para atrasar o processo ou deu indícios de que frustraria a aplicação da lei.

Ainda de acordo com os advogados, "no ordenamento constitucional vigente, a liberdade é regra, excetuada apenas quando concretamente se comprovar, em relação ao indiciado ou réu, a existência de perigo de liberdade, o que não acontece no caso em tela."

Leia também:

MPF denuncia Sara Winter por injúria e ameaça a Alexandre de Moraes

À PF, Sara Winter se cala sobre ameaças a ministro e nega atuação em foguetório

Uma das líderes do grupo autodenominado 300 do Brasil, Sara foi presa temporariamente no dia 15 de junho pela Polícia Federal (PF), por ordem do ministro Alexandre de Moraes e a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Outras cinco pessoas também foram presas na mesma operação.

O objetivo da investigação, de acordo com nota divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF), é apurar o esquema de financiamento e de organização de atos de rua com o objetivo de atacar as instituições democráticas.

A abertura desse inquérito foi autorizada em abril pelo STF, a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para apurar possível violação à Lei de Segurança Nacional depois que manifestantes levantaram faixas pedindo intervenção militar e o fechamento de instituições democráticas durante ato em apoio ao presidente Jair Bolsonaro em Brasília e outras cidades do país. Uma das linhas de investigação apura o envolvimento de parlamentares. 

Sara também já foi alvo, na semana passada, de mandado de busca e apreensão no chamado inquérito das fake news, que tramita no Supremo sob a relatoria de Alexandre de Moraes e apura ameaças e difamações proferidas contra os ministros da Corte nas redes sociais.