Secretário de Saúde do Pará volta a ser alvo de operação da PF

Em um prédio no centro da capital gaúcha, a PF encontrou mais de 100 obras de arte pertencentes a Alberto Beltrame

Vianey Bentes Da CNN, em Brasília
23 de junho de 2020 às 10:38 | Atualizado 23 de junho de 2020 às 13:36

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Matinta Perera, segunda fase da Operação Para Bellum, e cumpre sete mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul. A ação ocorre nas cidades de Porto Alegre e Xangrilá e conta com a participação de 25 agentes.

Os mandados foram expedidos pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Francisco Falcão. Esta fase tem por objetivo colher mais elementos sobre a participação de um dos investigados dentro dos fatos sob apuração, bem como verificar se há compatibilidade entre seu patrimônio e rendimentos. Um dos alvos dessa operação é o atual secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, que é gaúcho.

Em um prédio no centro da capital gaúcha, a PF encontrou mais de 100 obras de arte pertencentes ao secretário. Alberto Beltrame é também presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS).

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Em nota enviada à CNN, o secretário de saúde do Pará disse que as obras que estava em seu apartamento em Porto Alegre “são fruto de 35 anos de trabalho”. “Algumas obras são cópias e as que têm valor foram declaradas no meu imposto de renda. Foram pagas com transferências bancárias e tenho suas notas fiscais”, disse Beltrame.

A operação desta terça foi denominada " Matinta Pereira", uma personagem do folclore brasileiro, mais precisamente na Região Norte do país.Trata-se de uma bruxa velha que à noite se transforma em um pássaro agourento que pousa sobre os muros e telhados das casas e se põe a assobiar, e só pára quando o morador, já muito enfurecido pelo estridente assobio, promete a ela algo para que pare.

Obras de arte encontradas pela Polícia Federal (PF) em Porto Alegre, pertencentes ao secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame
Foto: Divulgação/Polícia Federal

Na Operação Para Bellum, lançada em 10 de junho, a PF investigou irregularidades na compra de respiradores no Pará, que custaram cerca de R$ 50 milhões.

Desse total, metade do pagamento foi feito à empresa fornecedora dos equipamentos de forma antecipada, sendo que os respiradores, além de sofrerem grande atraso na entrega, eram de modelo diferente ao contratado e não serviam para o tratamento da Covid-19. Por tal razão, os respiradores acabaram sendo devolvidos.

Leia a integra da nota do secretário de Saúde do Pará:

Esclareço que as obras de arte que estão no meu apto em Porto Alegre são fruto de 35 anos de trabalho.

Todas elas foram adquiridas antes de minha gestão como Secretário de Saúde no Pará.

Algumas obras são cópias e as que têm valor foram declaradas no meu imposto de renda.

Foram pagas com transferências bancárias e tenho suas notas fiscais.

Todo o meu patrimônio é absolutamente compatível com a renda que auferi com meu trabalho ao longo deste tempo.

Por fim, informo que os valores pagos pelos respiradores no estado do Pará foram integralmente devolvidos aos cofres do estado.

Alberto Beltrame