Cardozo diz ser 'natural' Bolsonaro depor; Sartori não vê sentido no inquérito

O ex-ministro da Justiça e o ex-presidente do TJ-SP debateram investigação sobre suposta tentativa de interferência de presidente na PF

Da CNN, em São Paulo
24 de junho de 2020 às 17:53 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 18:02

O ex-ministro José Eduardo Cardozo (Justiça, no governo de Dilma Rousseff) e o desembargador aposentado Ivan Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, debateram sobre o possível depoimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no inquérito que investiga uma suposta tentativa de interferência na Polícia Federal. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidirá sobre como e quando será feito o depoimento.

Para Cardozo, é “absolutamente natural” que o presidente da República seja convocado a depor — por escrito ou pessoalmente. Já Sartori acredita que o inquérito “não tem nenhum sentido”, mas se Bolsonaro está sendo investigado, ele deve se manifestar.

“Para interferir nas investigações da Polícia Federal é preciso que se passe por cima do Judiciário e do Ministério Público. Para mim, essa interferência é uma situação complicada", disse Sartori. "Acho que [o depoimento] pode ser feito por escrito, já foi feito assim pelo Michel Temer, e acho que assim preserva muito mais a dignidade do cargo do presidente”, completou, acrescentando que, em sua opinião, nunca um presidente foi tão atacado quanto Bolsonaro.

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Cardozo discordou, citando que Dilma Rousseff sofreu um processo de impeachment. “Dilma caiu sem colocar seus ministros para ameaçar, dizendo que a ‘corda ia arrebentar’. Ela não pediu aos ministros militares que tomassem postura em sua defesa. Ela caiu achando que era injustiçada, sem crime de responsabilidade, mas com a dignidade do cargo de quem o jurou cumprir uma Constituição, mesmo achando que na sua destituição a Constituição estava sendo descumprida. Ela não propôs a violência”, defendeu.

Sara Giromini

Conforme a informação da analista da CNN Thais Arbex, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu libertar a extremista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, e demais presos investigados no inquérito que atos antidemocráticos. 

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Na avaliação de Cardozo, a decisão de Moraes foi “rigorosamente correta”. Já Sartori disse que esse inquérito não deveria ter sido iniciado na corte. “Além de tudo, a Sara não tem prerrogativa de foro, não era para ser julgada no Supremo de forma alguma. E pior: o Supremo e próprio ministro Alexandre de Moraes são vítimas e, sendo vítimas, não poderiam investigar Sara Winter”, avaliou.