Governadores querem ajuda do governo federal para comprar sedativos

Os medicamentos fazem parte do chamado “kit intubação”, usado no tratamento de pacientes com Covid-19 nas UTIs

Noeli Menezes, da CNN, em Brasília
25 de junho de 2020 às 12:33 | Atualizado 25 de junho de 2020 às 12:49
Hospital de campanha para atendimento de pacientes de Covid-19 em Santo André (SP)
Foto: Amanda Perobelli - 6.mai.2020/Reuters

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou nesta quinta-feira (25) que o Fórum de Governadores deve apresentar um pedido para o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, orientar a compra de sedativos do chamado “kit intubação”, usado no tratamento de pacientes com Covid-19 nas UTIs. 

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Falta coordenação

"Estamos com dificuldades. A coordenação do governo federal é fundamental na compra desses medicamentos", declarou durante audiência na comissão mista do Congresso que acompanha as ações de combate ao novo coronavírus.

Segundo dados do Conselho Nacional das Secretarias de Saúde (Conass), mais de 20 estados sofrem com falta ou baixo estoque de sedativos utilizados na intubação de pacientes na rede pública. A entidade apontou, ainda, dificuldades enfrentadas pelas Secretarias de Saúde para fazer as compras, seja por sobrepreço ou por escassez de produtos.



Durante a audiência, Casagrande reclamou do que classifica como falta de coordenação do governo federal no enfrentamento à pandemia. "Essa falta de coordenação nacional, a troca de ministros, a politização de medicamentos e do isolamento e o enfrentamento provocado pelo presidente da República [Jair Bolsonaro] acabaram dificultando um pouco nosso trabalho", declarou.

O governador afirmou, também, que a ausência de um alinhamento de discurso de Bolsonaro com os entes federados foi responsável pela politização da pandemia e causou estresse na relação. “A politização leva as pessoas a pedirem o fechamento do comércio ou a abertura do comércio. O isolamento social ficou resumido em fechamento do comércio. Pessoas querem fechamento do comércio, mas não abrem mão de ir à praia e das atividades sociais.”

Segundo ele, o ideal seria uma coordenação central, “com uma mesma mensagem de isolamento, de uso de máscara, de gravidade da situação”. Sem esse planejamento, continuou, “o país chegou ao centésimo dia de pandemia com a curva crescente de casos, ainda longe do achatamento”. 

Para o governador, o grande desafio na relação dos estados com o Ministério da Saúde é a constante troca de titulares e de equipes na pasta, mas disse que "não tem má vontade”.

Por outro lado, Casagrande elogiou a atuação do Congresso na aprovação de medidas, como a ajuda financeira da União a estados e municípios para compensar perdas de arrecadação. No entanto, prevê que o socorro pode ser insuficiente, uma vez que o Espírito Santo teve queda de 26% nas receitas em maio. A previsão é que a arrecadação caia 20% em junho.