Para Kataguiri, só apoiador 'mais cego' defende Bolsonaro; Carlos Jordy discorda

Deputados também comentam reformas propostas pelo governo e o inquérito sobre atos antidemocráticos no STF

Da CNN, em São Paulo
28 de junho de 2020 às 17:21 | Atualizado 28 de junho de 2020 às 18:54

Manifestantes pró e contra o governo se reuniram na manhã deste domingo em Brasília. Os atos foram pacíficos, não se estenderam por muito tempo e registraram um menor número de pessoas em comparação com as últimas semanas. Em São Paulo, na Avenida Paulista, manifestantes contra Jair Bolsonaro promoveram um encontro durante a tarde, enquanto os atos favoráveis ao presidente, também na capital paulista, foram marcados para a Assembleia Legislativa do Estado.

Os deputados Carlos Jordy (PSL-RJ) e Kim Kataguiri (DEM-SP) foram convidados pela CNN para um debate sobre as manifestações de rua e também para uma avaliação sobre os últimos acontecimentos na política nacional que envolvem o governo federal.

Sobre a baixa adesão às manifestações de rua neste domingo, Kataguiri observa que apenas o núcleo duro de apoiadores de Jair Bolsonaro permanece nas ruas, e elencou uma série de motivos, que segundo ele, levaram ao “derretimento” da base de apoiadores. Entre eles, o deputado citou a criação de ministérios para nomeação de políticos do Centrão. “O Bolsonaro que nós votamos, contra o PT no segundo turno, não falava nada disso, daí a explicação do derretimento de seu apoio. É óbvio que ninguém vai às ruas defender um traidor, a não ser, claro, aqueles mais cegos”.

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Ao contrário das opiniões do deputado do DEM, Carlos Jordy acredita que após oito finais de semana consecutivos com manifestações mais representativas, ele considera “natural” que esteja caindo o envolvimento dos participantes. Jordy argumentou, também, que cartazes que pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional eram de pessoas isoladas e que não respondem por toda a manifestação. “Obviamente que no decorrer de todo esse processo, as pessoas vão ficando desanimadas porque nós sabemos que muito tem sido feito para impedir estas manifestações. Aqui no Distrito Federal, por exemplo, o próprio governador está impedindo que as pessoas possam se manifestar”.

Reformas políticas

Kim Kataguiri criticou Bolsonaro por não ter conseguido implementar as reformas políticas e tributárias que ele propôs ao se eleger. “Não há agenda bolsonarista de reforma, mesmo porque todas as reformas já foram abandonadas pelo governo Bolsonaro em troca de um plano de gastança pública, de dinheiro público, que é o Pró-Brasil”.

Jordy discorda de Kataguiri e diz que o governo Bolsonaro está sim fazendo reformas, e cita a reforma da previdência, de 2019, como exemplo. Afirma que outras reformas não aconteceram “por conta de certas pessoas que estão no Congresso e que querem atender o Centrão e também a esquerda”. Ele fala, também sobre a dificuldade de se implementar mudanças, como a reforma administrativa, em meio à pandemia do novo coronavírus. “É óbvio que agora todos os nossos esforços estão canalizados no combate à pandemia, na diminuição dos mortos, na questão do combate e tratamento dos pacientes. Na atenuação de todo esse desastre econômico que está sendo promovido por governadores e prefeitos que querem utilizar a pandemia como palanque eleitoral e, também, para colocar a faca na jugular do governo federal e arrancar recursos de nós”, afirma.

Kim descarta que o foco do governo federal está sendo o combate à pandemia. “O próprio Bolsonaro quando se reúne com líderes partidários e com os presidentes da Câmara e do Senado, diz que a prioridade dele é o projeto da CNH, que a gente votou, e mineração em terra indígena. Que diabos isso tem a ver com pandemia?”

Inquérito no STF

Carlos Jordy considera inconstitucional e imoral o inquérito que apura atos antidemocráticos contra a corte e o Congresso Nacional. “Como você vai instaurar um inquérito de manifestações antidemocráticas quando na verdade é a livre reunião, livre liberdade de expressão dos manifestantes? Acho que não é proibido fazer críticas ao STF. E mais, ferindo prerrogativas de deputados. Fizeram buscas e apreensões sobre deputados e senadores”.

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Já Kim Kataguiri considerou o início do inquérito inconstitucional. “Aberto de maneira completamente inconstitucional, de ofício pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, sem direito à ampla defesa e desrespeitando o princípio do juiz natural”. No entanto, a respeito do inquérito que investiga um suposto financiamento das manifestações antidemocráticas, Kataguiri afirma que foi à pedido da Procuradoria Geral da República, e que está dentro das normas previstas na Constituição. “O inquérito das manifestações antidemocráticas tem como base a Lei de Segurança Nacional, tem seguido o devido processo legal, é o Ministério Público que está conduzindo as investigações junto com a Polícia Judiciária, como deve ser. E o STF só está agindo provocado pela PGR”.

(Edição: André Rigue)