Com indefinição sobre Aliança, bolsonaristas abrem diálogo com PSL e PTB


Igor Gadelha
Por Igor Gadelha, CNN  
13 de julho de 2020 às 13:10 | Atualizado 13 de julho de 2020 às 13:35
Bolsonaristas

Reunião em que Roberto Jefferson afirma ter convidado Bolsonaro para se filiar ao PTB

Foto: Reprodução/ Twitter

Irritados com a indefinição sobre a criação da Aliança pelo Brasil, deputados federais bolsonaristas começaram a pensar em um plano B para seus futuros partidários. 

Eles abriram conversas para uma reaproximação com a direção do PSL, sigla à qual a maioria segue filiada, e até para possível filiação ao PTB, legenda comandada pelo ex-deputado Roberto Jefferson.

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Há cerca de um mês, bolsonaristas começaram a conversar com Jefferson. Já estiveram com o ex-parlamentar os deputados Bia Kicis (PSL-DF), Filipe Barros (PSL-PR) e General Girão (PSL-RN).

O próprio Jair Bolsonaro conversou com Jefferson por videoconferência na última terça-feira (7), quando o ex-deputado convidou formalmente o presidente da República para se filiar à legenda. 

Também há três semanas, deputados bolsonaristas retomaram o diálogo com o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, e o 1º vice-presidente da sigla, Antonio de Rueda. 

A reaproximação já resultou em um telefonema, na semana retrasada, do próprio Bolsonaro a Bivar. Os dois estavam rompidos desde novembro, quando o presidente da República deixou a sigla.

Essa reaproximação, se bem sucedida, deve resultar na revogação da suspensão das atividades partidárias dos deputados federais bolsonaristas pela direção do PSL.

Os bolsonaristas, por sua vez, desistirão das ações que movem na Justiça pedindo desfiliação da legenda por justa causa. Não está descartada até mesmo uma refiliação de Bolsonaro ao PSL.

Por trás desses movimentos, está a insatisfação dos deputados bolsonaristas com o núcleo jurídico da Aliança pelo Brasil, principalmente com a advogada Karina Kufa, que está à frente do processo de criação da legenda.

Parlamentares estão irritados com a demora na obtenção das assinaturas necessárias para registro do partido na Justiça Eleitoral e até com o protagonismo político e midiático de Karina.

Quase oito meses após começar a coleta, a Aliança pelo Brasil só conseguiu pouco mais de 3% das 492 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para registrar a legenda.