Afirmação de Gilmar é injusta e ofende honra das Forças Armadas, diz ex-ministro

Sérgio Etchegoyen acredita que crise seja pontual e gire apenas em torno da declaração do ministro do STF

Da CNN
13 de julho de 2020 às 22:55
 

O general da reserva Sérgio Etchegoyen disse nesta segunda-feira (13) em entrevista à CNN que a afirmação do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de que o Exército se associa a um "genocídio" em relação à condução do Ministério da Saúde durante a pandemia da Covid-19, é "injusta" e ofende a honra das Forças Armadas.

"Uma afirmação absolutamente desnecessária e injusta, que atinge a honra das instituições. Associar o Exército a um genocídio é uma acusação seríssima ao governo brasileiro, de estar promovendo um genocídio. E uma acusação tão seríssima quanto ao Exército de estar associado a uma coisa dessa", diz Etchegoyen em entrevista exclusiva à CNN.

O general ocupou diversos cargos na carreira, tendo sido chefe do Estado Maior do Exército e ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). 

Para o ex-ministro, a declaração provoca uma crise, mas é algo de momento e não afeta as instituições como um todo. "Eu acho que é uma crise pontual. A interpretação da nota do ministro da Defesa e dos comandantes de Forças é que a questão é pontual, uma declaração do ministro Gilmar Mendes", afirmou.

Ministério da Saúde

Para Etchegoyen, as Forças Armadas não podem ser responsabilizadas pelo bom ou mau desempenho dos militares escalados para trabalhar no governo Bolsonaro, caso do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello.

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O ex-ministro, no entanto, admite que essa associação é natural, dado o alto número de militares nomeados para postos estratégicos. 

"É inevitável que a população faça uma analogia entre as Forças Armadas e aqueles que pertenceram ou pertencem às Forças Armadas e estão trabalhando. No entanto, se nós olharmos os ministros, veremos que eles são escolhas do presidente e não um pedido às Forças Armadas, [como se o presidente dissesse] 'preciso de um general para determinada função'".

(Edição: Bernardo Barbosa)